
Berlusconi anunciou que desistiu de se candidatar à presidência da Itália. Disse que tinha votos para ganhar mas que, em prol da unidade, vai abandonar a disputa. Que decisão honorável não? Só que não. Na verdade, ele sabe que falta-lhe votos e apoio político para se tornar presidente – então desistiu.
Observar um tubarão deste porte desistir da caçada nos leva a pensar que, se não houvesse tamanho apoio politico às duas bandas podres que assistimos impassíveis e atônitos se digladirem pela presidência do Brasil, certamente eles próprios poderiam também tomar decisão semelhante. Parece um sonho né? Pois é. Além do mais, eles sabem que têm mais que apoio político. Podem usar o horror que os eleitores de um sentem pelo o outro para turbinar uma disputa em que o único perdedor se chama Brasil – seu povo e seu futuro.
Apenas em um exercício de imaginação: dá para perceber o quanto seria sadio para a política nacional se nesse momento tanto Lula quanto Bolsonaro, por uma intervenção divina amanhecessem e disessem: “não irei disputar a presidência neste ano”?
Dá pra imaginar o quanto de peso seria retirado das costas de milhões de brasileiros e brasileiras que estão por aí cegos e surdo – incapazes de se desvencilhar das amarras desta política do perde-perde que está sendo cada vez mais normalizada em nosso país?
Um eleição sem a presença destes dois extremos devolveria a lucidez de que tanto necessitamos nesta hora para rearrumarmos a casa e seguirmos em frente.
A Itália passou pela operação Mãos Limpas e dela herdou Berlusconi. Um político para lá de complicado e que não se furta a participar de um escândalo, tenha o escândalo que dimensão for – de financeira a sexual. Seu maior feito: enterrar a Mãos Limpas.
Nosso Brasil passou pela operação Lava-Jato e não herdou, ao menos na política coisa muito boa por enquanto. Que ao menos as conquistas intitucionais que o país conseguiu como resposta às manifestações de 2013 parem de ser diuturnamente vilipendiadas. Já seria um grande feito.
