Amigos e amigas, a queda de braços entre Jair Bolsonaro e o Ministro do STF Alexandre de Moraes deve ganhar tons dramáticos.

Nesta semana o presidente se recusou a cumprir ordem judicial. Pode isto Arnaldo?
O pior está por vir. O Ministro deve assumir a presidência do TSE – Tribunal Superior Eleitoral pouco antes das eleições, que ocorrerão em outubro deste ano. O clima tende a esquentar bastante.
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Demorou, mas a Anvisa finalmente liberou a venda de autotestes contra a Covid-19 no Brasil. Isto certamente aliviará bastante o sistema de saúde porque dado a boa cobertura vacinal que o país alcançou muitos infectados sequer necessitarão ir até os postos de atendimento médico, liberando espaço para os que realmente precisam.
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Boa notícia a vista: a tecnologia 5G deve gerar até 50 mil novos postos de trabalho já em 2022 e até 670 mil até 2025. O problema é que por se tratar de trabalho qualificado, muita gente vai ficar fora desta onda. Já passou da hora deste país colocar em prática uma política consistente de educação para atender as duas necessidades – a dos empresários que precisam de mão-de-obra e a dos trabalhadores, que precisam se qualificar para assumirem as vagas. Esta é a face má mesma notícia: nossa prioridade no momento não é educação. Parece que continuamos presos à ilusão do futebol.

Além disto, nosso país segue, conforme palavras do empresário Marco Stefanini, em entrevista ao jornal O Globo (23.jan) “preso a armadilhas antigas, como o tamanho do Estado, o excesso de burocracia, uma visão de sociedade não totalmente capitalista e empreendedora”. Coisas para se pensar em ano de eleição.
Já o pré-candidato à presidência pelo partido Novo, Luiz Felipe D’Ávila escreveu um artigo no Estadão (26.jan) intitulado “Potência Ambiental” que trouxe um receituário, simples e factível de como o Brasil pode e deve aproveitar sua enorme potencialidade ambiental para se inserir na nova economia global de forma proeminente. De fato, não há país no mundo que pode se beneficiar melhor desta nova maneira de enxergar o binômio natureza/economia do que o Brasil.
Aliás, a proteção ambiental foi a tônica do documento que a OCDE – o clube dos países ricos –enviou ao Brasil para convidá-lo a abrir oficialmente o processo de ingresso na organização.
Porém, sendo uma das exigências da OCDE a questão ambiental, como entender que o governo enxerga com seriedade a possibilidade de erguer três megausinas hidrelétricas na Amazônia? Queremos ou não ingressar na OCDE?
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A cifra que Sérgio Moro disse ter recebido de uma consultoria – 3,7 milhões de reais e sua ponderação de que Lula e Flávio Bolsonaro tem recebido cifras ainda maiores seja em consultorias ou rachadinhas demonstra duas realidades trágicas deste Brasil das desigualdades: a distância que existe entre aqueles que estão no poder e aqueles que lá os colocam e o fato de que Moro está aprendendo rápido a se portar como um político profissional.
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as portas em São Paulo
Resistência. É assim que devemos ver a reestreia do cine Bijou na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Resistência do cinema-arte sobre os blockbusters. Resistência da telona em face dos streamings. Resistência da cultura contra a crise provocada pela pandemia e pela política do governo federal em relação à cultura em geral e ao cinema em particular. O cine Bijou voltou rebatizado: Satyros Bijou e está sob a administração dos fundadores da companhia de teatro Os Satyros. Vida longa à casa!
E vem do Butão, aquele país asiático que não mede o PIB, mas o índice de felicidade de seu povo uma das mais notórias novidades do Oscar para este ano. “A Felicidade das Pequenas Coisas” do diretor Pawo Choyning Dorji apareceu ao menos na shortlist de produções internacionais divulgada esta semana. A conferir se avança para a lista final.
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Faleceu esta semana o filósofo Olavo de Carvalho. Figura que aproximou, mas também separou através de seu pensamento os bolsonaristas. Seu trabalho como filósofo é questionável e se concentrou em temas caros à chamada “nova direita”, como a questão da educação infantil no qual combatia a política do ensino da ideologia de gênero, além de uma luta incessante contra o que chamava de “marxismo cultural”. Jair Bolsonaro chegou a decretar luto oficial de um dia – coisa rara de se ver.
Boa semana a todos.
