FORMAÇÃO POLÍTICA

Triste sina de Petrópolis

A chuva do dia 15.fev que arrasou Petrópolis deixando um rastro de mortes e destruição na cidade serrana do Rio nos leva a indagar porque afinal, mesmo com o histórico de tragédias provocadas pelas chuvas naquela localidade ainda possamos assistir a um triste acontecimento com este. Consta que a Defesa Civil foi alertada sobre o risco de desabamento na véspera da tragédia. O governo do Estado nega que tenha recebido avisos. Nada iria evitar os prejuízos materiais mas o maior dos prejuízos – vidas humanas – estas sim poderiam ter sido poupadas. Fica o recado também para os negacionistas de plantão que vêm no esforço mundial para conter os problemas climáticos um mero e anacrônico espectro sino-comunita – mais ridículo do que isto, só a negação da vacina…

Mais uma vez a cidade é castigada
pelas chuvas – mortes e destruição.

A colunista da Folha Ana Cristina Rosa nos trouxe luz ao denunciar um conceito que vem se arraigando em nossa sociedade – o dos “nem-nem”. Chamar os jovens despojados de oportunidades de “nem estudantes, nem trabalhadores” é outra covardia que se faz com a auto estima do brasileiro. Covardia parecida com aquela que diz que por aqui impera a  “Lei do Gerson”, ou seja, ‘o brasileiro gosta de levar vantagem em tudo’, isto é, enganar para se dar bem. Nas palavras da colunista: “[…] me dei conta do grau de perversidade e de injustiça embutidos na expressão ‘nem-nem’. Em caso de adoção de uma alcunha para esses brasileiros, talvez a correta fosse ‘sem-sem’, de sem trabalho decente e sem oportunidade de mudar de vida”. (Folha, 14.fev) 

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O TSE – Tribunal Superior Eleitoral terá um ano de muito trabalho pela frente além de duas trocas de titular na presidência da Instituição. Roberto Barroso se despediu do cargo dizendo que Bolsonaro, ao criar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro não passa de uma “repetição mambembe” de Trump. Assume o Tribunal, na próxima semana Edson Fachin e em agosto Alexandre de Moraes.

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Polícia Federal age contra garimpo
ilegal na Amazônia

A Polícia Federal agiu esta semana contra o garimpo ilegal na Amazônia. Também participaram da operação, que combateu a extração de ouro em áreas dos rios Crepori e Tapajós agentes da Polícia Rodoviária Federal e servidores do Ibama e da Funai. O local é próximo da lindíssima Alter do Chão. Jacareacanga serviu de base à operação. Só pra relembrar, foi lá que, em 1956 alguns oficiais da aeronáutica se amotinaram e tentaram derrubar o governo de Juscelino Kubitschek.

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E a despeito de Bolsonaro ter insinuado que levou a paz ao coração de Putin, distúrbios certamente promovidos por Moscou começaram a acontecer no leste da Ucrânia, onde separatistas russos tentam desvincular o governo de Kiev. Para o presidente americano Joe Biden, Putin já se definiu por invadir a Ucrânia. Para a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, o Brasil se posicionou do “lado oposto da comunidade global” após nosso presidente se declarar ‘solidário’ à Rússia. Problemas que não precisávamos ter… 

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Arnaldo Jabor (1940-2022)

Faleceu esta semana Arnaldo Jabor. Dono de uma apurada e ácida crônica política e social, também foi cineasta e dirigiu clássicos como “Toda nudez será perdoada” (1973) e “Eu sei que vou te amar” (1986).  Estava internado desde dezembro vítima de um AVC.  Jabor, na fala de Alice Ferraz (Estadão, 19.fev, p.C4) “tinha o poder de nos afastar de falas vazias, […] ele era claro, tão claro que assustava, nos paralisava em frente à TV, onde era impossível se perder em outras telas enquanto ele falava.”  Em tempos de múltiplas telas ao nosso redor uma mente objetiva como a de Jabor vai nos fazer falta.

Registramos também a morte do ensaísta Cândido Mendes, ele ocupava a cadeira nº 35 da ABL – Academia Brasileira de Letras. Mendes que pensou o Brasil e foi um defensor da democracia escreveu, entre outros, “Subcultura e mudança: por que me envergonho do meu país” (2010). 

A vergonha maior está naquilo que podemos (e devemos ser) em função do que conseguimos até agora – um país rico de gente pobre! Quem deve trabalhar para isto? O mesmo que ajuda a manter este estado de coisas: nossos homens públicos, nossa política.

Boa semana a todos.

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