As brasileiras passaram a ter direito a votar e a ser votadas em 1932, resultado da luta da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), criada dez anos antes e liderada por Bertha Lutz, tida como uma das pioneiras na luta pelo voto feminino no país.

“Minhas impressões? Sinto-me bem. Que culpa tenho eu de estar sozinha” – Almerina Farias Gama, justificando ser a única a votar nas eleições dos deputados para a classe trabalhadora para a Assembléia Constituinte de 1933. Foi esta Assembléia que construiria a constituição de 1934, alcançada após ferrenha batalha travada em São Paulo em 1932 – a Revolução Constitucionalista.
Em 2018 ficou caracterizado o uso de mulheres como ‘laranjas‘ já que havia verba especial direcionada a candidaturas femininas. Na ocasião, mulheres foram usadas para burlar cotas. Candidaturas que sequer foram divulgadas e que ao final conquistaram um número de votos irrisório. Partidos passaram a indicar mais mulheres como candidatas, mas apenas para cumprir uma obrigação legal mas na prática não havia candidatura alguma – um retumbante desrespeito à lei e às mulheres.
Mais tarde a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou anistia para os partidos que se utilizaram do expediente. Partidos que estavam respondendo a processos por candidaturas “laranjas” de mulheres, cuja verba foi desviada para eleger homens ficaram assim livre de sanções de qualquer natureza – uma vergonha!
Também negros precisam ser melhor representados, especialmente no Parlamento. Alí a sociedade deve ser representada por seus diversos grupos. Quando apenas uma elite econômica e intelectual toma o controle da ‘casa do povo’ o resultado não pode ser outro – desigualdade social. No caso brasileiro, uma retumbante desigualdade social.
