
Em 2006 Luiz Inácio Lula da Silva venceu as eleições presidenciais sobre o candidato do PSDB Geraldo Alckmin com 60,83% dos votos no segundo turno contra 39,17%. No primeiro turno juntos os dois candidatos receberam 90,25% dos votos válidos.
Naquele momento PT e PSDB formavam a grande cisão política do país, o que durou por muito tempo. O PT representando uma esquerda progressista e o PSDB empunhando a bandeira de uma democracia liberal – era impensável imaginar uma chapa, dezesseis anos depois formada por Lula da Silva e Alckmin – simplesmente inconcebível.
Mas os ventos da política são incontroláveis.
Após os acontecimentos de 2013, da frustrada Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, cujo anúncio da realização de tão importantes eventos globais foram a coroa dourada das realizações que o PT vinha conseguindo no Brasil, o choque da lava-jato colocou o país diante de uma dura realizadade da qual não conseguiu ainda se desvencilhar.
Ao contrário. O país entrou em um lamaçal que está difícil sair. Tem no momento instituições democráticas lutando para prevalecer diante dos ataques de quem tem a obrigação legal (e constitucional!) de as defender.
Lula, livre dos processos que o aporrinharam e o impediam de concorrer a cargo público reaparece com um discurso de que foi inocentado pela Justiça quando, sabe-se, isto não é bem assim.
Geraldo Alckmin, desanimado com o PSDB que insiste em fulminar suas próprias candidaturas “em casa” procurou abrigo em outra sigla. O PSB – Partido Socialista Brasileiro tem o vermelho tradicional das esquerdas estampado em sua bandeira. O partido, que abrigou de Miguel Arraes a Anthony Garotinho e que tem como presidente de honra Ariano Suassuna está neste momento tentando fechar uma federação partidária com o PT e outros partidos de esquerda, mas tem encontrado sérios entraves à união temporárias das siglas.
O que quer cada um:
Para Lula, trazer Alckmin – um político estável, que permaneceu mais de trinta anos no PSDB e que é visto pela própria esquerda com um neoliberal – traz um ganho enorme para a sua candidatura. Afugenta qualquer temor de que pretende implantar uma ‘república socialista’ por aqui o ajuda bastante neste momento, tal e qual a “Carta ao Povo Brasileiro” lhe garantiu sua primeira ida à presidência.
Já para Geraldo Alckmin o caminho é mais longo. Como percebeu que o PSDB jamais iria lhe dar o suporte necessário para conseguir se tornar presidente da república, fez um movimento ríspido – o que não é sua característica – para tentar, ao final de quatro anos de Lula enfim se cacifar o suficiente para sentar na cadeira presidencial. Já avisou também que não será um vice apenas figurativo – pretende impor sua maneira de governar desde já.

Ao fim e ao cabo algo impensável – só a política para trazer surpresas assim.
