
Dia 08 de março foi o “Dia Internacional da Mulher”. Apesar de alguns avanços – ainda há pouco a se comemorar: um deputado estadual do estado mais desenvolvido do Brasil se abala até a Ucrânia para dizer que as ucranianas que estavam na fila de refugiadas eram “fáceis porque eram pobres”. Um assassino cruel que ateou fogo em uma casa prendendo duas mulheres lá dentro em Nova Friburgo-RJ foi absolvido pelo crime de feminicídio. Foram registrados um estupro no Brasil a cada dez minutos em 2021 – numeros estarrecedores porque há casos não relatados! Por fim, nosso presidente, bem ao seu estilo disse em cerimônia feita para comemorar o dia que “as mulheres estão quase integradas à sociedade”. Será que há algo mesmo a se comemorar ou ainda sobram motivos para lutar?
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O Rio de Janeiro foi a primeira capital a abolir o uso das máscaras que ajudam a evitar o contágio da Covid-19 inclusive para os locais fechados como shopping centers, escolas e até nos coletivos urbanos. São Paulo liberou o uso do item de segurança em áreas externas na quarta-feira, dia 9, e projeta abolir em áreas internas em quinze dias. Outras capitais pelo país seguem o passo, mas ainda morrem perto de 500 pessoas no país por dia por conta da doença. O argumento: a vacinação já atingiu boa parte da população. Sim, é verdade, mas vamos devagar com o andor…
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Como reflexo da guerra da Ucrânia e o aumento das sanções impostas à Rússia, os Estados Unidos, quem diria, se aproximaram da Venezuela de Maduro. Querem agora agradar o caudilho sulamericano para conseguir dele o petróleo que vai faltar com a proibição de negociar petróleo russo. Aqui no Brasil, as consequência disto já são sentidas no bolso. A Petrobrás subiu os combustíveis no Brasil de maneira assustadora: no interior do Acre o litro da gasolina passou dos dez reais!
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Nesta guerra, cujo cerco parece ser o econômico, as empresas multinacionais também estão fazendo sua parte. Os cartões Mastercard e Visa, empresas de tecnologia como a Dell e a Apple, as montadoras Volkswagen, Ford e BMW, além de companhias de petróleo, como a Exxon Mobil deixaram de operar na Rússia. O McDonald ‘s, que tem 850 restaurantes no país, anunciou o fechamento das lojas e até a Coca-Cola parou sua produção e distribuição naquele país – novos tempos. Como retaliação, Putin ameaça nacionalizar estas empresas caso não voltem a operar durante esta semana que começa. A conferir.
Ainda assim, o desfecho dessa guerra preocupa. Foi publicado no Estadão (10.mar) um artigo do colunista do The New York Time Thomas Friedman intitulado “Putin não tem saída e isso realmente assusta” no qual o articulista analisa que a Putin só restam duas alternativas: uma derrota rápida e humilhante ou uma derrota longa e muito perigosa. Neste caso sobraria “uma Rússia enfraquecida, humilhada e desordenada, que poderia fraturar ou acabar em meio a uma turbulência política, com diferentes facções se engalfinhando pelo poder”.
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Caetano Veloso esteve acompanhado por diversos outros artistas e ativistas de movimentos sociais na porta do Congresso Nacional liderando um protesto pacífico contra aquilo que eles chamam – e é – um afrouxamento da legislação ambiental. Reuniu-se com ministros do STF e com o presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD). O nome do protesto diz tudo: “Ato pela terra contra o pacote da destruição”.
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Em São Paulo já é possível perceber os primeiros resultados do projeto “Novo Rio Pinheiros” que pretende devolver vida aquática ao curso d’água e revitalizar as margens daquele rio urbano. Já se nota a diferença na coloração das águas do Tietê e do Pinheiros. Enquanto o primeiro permanece com suas águas escuras e praticamente paradas, o Pinheiros vai aos poucos se esverdeando e já demonstra alguma força de corrente. O navegador Beto Pandiani, que vai enfrentar o desafio de ir do Alasca à Groenlândia em seu veleiro para denunciar o problema do degelo, colocou seu barco no Pinheiros. Que esta imagem seja o futuro e que o mesmo programa se estenda ao Tietê também!
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O jornalismo fotográfico perdeu esta semana outro ícone. Orlando Brito, um dos mais experiente fotógrafos da cena política brasileira, tinha mais de 50 anos de carreira e foi o primeiro brasileiro a conquistar o cobiçado World Press Photo Prize do Museu Van Gogh, em 1979. Fotografou a posse de todos os presidentes brasileiros desde Costa e Silva em 1967 até Jair Bolsonaro, em 2019. Faleceu por complicações decorrentes de uma operação, aos 72 anos, em Brasília.

Boa semana a todos.
