Pedras no caminho
Eduardo Leite tem enfrentado resistência dentro do PSD para a sua filição e posterior candiatura à presidência pelo partido. Figuras importantes da sigla como o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil e os senadores Omar Aziz e Otto Alencar estão com Lula enquanto o governador do Paraná Ratinho Júnior está com Bolsonaro. Arestas para Kassab acertar.

Na verdade, as dificuldades vão aparecendo neste período de início das disputas. Se para Leite o prazo para tomar uma definição vem se estreitando – ele tem até o início de abril para deixar o cargo de governador se quiser lançar-se à presidente, para Geraldo Alckmin o problema é outro: o ex-governador foi acusado de ter recebido em caixa dois 3 milhões de reais. A informação consta de uma delação feita pelo Ecovias. Alckmin alega ser perseguição de ano eleitoral.

Já Doria sofre com o próprio partido – PSDB. Ante o risco de Eduardo Leite migrar para o PSD, o governador de São Paulo tem sido instado por uma ala do partido a desistir da corrida eleitoral em favor de Leite. Doria já se preparou para abandonar o cargo de governador e tenta atrair um bom nome de vice para alavancar sua candidatura – sonho de consumo: Simone Tebet e o MDB a tira colo.

Mas um nome importante está fechado com Doria: José Luiz Datena fechou acordo para ser o candidato ao senado que formará chapa com Rodrigo Garcia ao governo do estado. O apresentador anunciou sua saída da TV Bandeirantes – onde tem programa – para concorrer ao senado pelo PSDB.

Para Sérgio Moro as dificuldades, que já não eram poucas, se tornaram maiores na medida em que houve um esvaziamento do Podemos devido ao estremecimento das relações com o Movimento Brasil Livre – MBL após as falas sexistas do deputado estadual em São Paulo Arthur do Val. Mas não é só isso. O Podemos tem enfrentado dificuldades em encontrar palanque para Moro em vários estados, inclusive no estado de origem de Moro, o Paraná.
Em uma tentativa de se posicionar mais ao centro, Lula tem feito esforços para evitar candidaturas próprias em alguns estados, como Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Rio Lula está com Marcelo Freixo (PSB). Em Minas, quer dar o apoio do PT a Alexandre Kalil (PSD). Também promove acomodações na Paraíba, Ceará, Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Norte pretende fazer o PT abrir mão de uma candidatura ao Senado.
