FORMAÇÃO POLÍTICA

Haverá uma terceira via?

Movimentos erráticos e muita indefinição – assim se encontra o quadro eleitoral para a presidência da república. Pode até parecer normal, pois ainda estamos a seis meses do pleito, mas alguns movimentos são incompreensíveis. Dois dos principais postulantes da terceira via fizeram movimentos tão estranhos quanto evasivos. No momento, não se sabe se Sérgio Moro (UB) continua candidato –  ele diz que sim, mas seu partido diz que não. João Doria, após o contorcionismo da semana passada segue intitulando-se o candidato do PSDB – o que, de fato é, mas quem quer buscar o protagonismo e deixá-lo no posto de vice é Simone Tebet (MDB) que esta semana colocou as mangas de fora e em conversa com Eduardo Leite (PSDB) disse que é a candidata à presidência, não a vice. Ciro Gomes (PDT) parece correr por fora e está mais para uma “quarta via” do que disposto a compor com a terceira. Nomes, como o de Luiz Felipe D´Avila (Novo) sumiram do noticiário. Prazo existe, mas é tempo de se juntar, não de espalhar.

Pré candidato pelo Novo, D´Avila não tem sido chamado às discussões.

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Pelos lados do Peru a política treme. Protestos que começaram em função do aumento do preço dos combustíveis, que acaba puxando o nível de inflação para as alturas tiram a paz do governo recém empossado de Pedro Castillo. Na Hungria o premier Viktor Orbán consegue seu quarto mandato, agora com ampla maioria no parlamento para promover mudanças na Constituição que lhe serão muito oportunas em um futuro breve. Já foi dito e isto parece cada vez mais claro: o mundo entrou em um momento de confronto entre democracias e autocracias – e são as últimas que têm tido vitórias importantes ultimamente.

Governo peruano enfrenta onda de protestos.

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E por falar em autocratas, Putin foi acusado de cometer crimes de guerra devido à execução de civis ucranianos nos arredores de Kiev. Conforme o exército russo se afastou do lugar o rastro de morte e destruição ficou visível. União Europeia e Estados Unidos prometeram aumentar as sanções econômicas  à Rússia. O presidente da França Emmanuel Macron defende a proibição de importação de gás e carvão da Rússia pela Europa, o que esbarra nos interesses da Alemanha. Já o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, em visita ao local, classificou a situação como um genocídio. O clima promete esquentar – Alemanha e França expulsam diplomatas russos em meio à negativa desses atos pelo Kremlin.

E o Oscar finalmente se pronunciou sobre o caso de Will Smith, que durante a cerimônia deste ano desferiu um tapa na cara do comediante Chris Rock por este ter feito uma piada sobre a condição de saúde de sua mulher Jada Pinkett Smith. O ator, que se encontra internado em uma clínica de reabilitação, foi banido das premiações do Oscar por 10 anos, todavia, o prêmio que recebeu foi mantido.

Academia afasta Smith por dez anos devido a agressão.

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E a Academia Brasileira de Letras, ALB está se tornando mais eclética. Após Fernanda Montenegro tomar assento como a primeira atriz na casa, agora foi a vez do primeiro representante da MPB encontrar ali o seu lugar de imortal. Gilberto Gil tomou posse e ocupará a cadeira de nº 20 da instituição. No seu discurso de posse, Gil lembrou que chegou a ironizar a academia na capa de seu LP “Tropicalista”, de 1968. Justificando-se, disse que um amigo lhe lembrou que “as ironias sempre trazem seu revés, papéis trocados, eis aqui, vida vadia: fardão custoso, bordado a ouro, vistoso, me revestindo da cabeça aos pés”.

Gilberto Gil discursa ao tomar posse na ABL.

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Lygia Fagundes Telles (1918-2022)

Mas a semana começou com o anúncio da morte da escritora Lygia Fagundes Telles. Ganhadora de quatro prêmios Jabuti, além do prêmio Camões em 2005, ela ficou conhecida como “a dama da literatura nacional”. Ocupava a cadeira de nº 16 da Academia Brasileira de Letras desde 1985. Lygia faleceu em sua casa, em São Paulo, aos 98 anos, ainda que registros sugiram que a autora teria 103 anos ao morrer. 

Damo de Abreu Dallari (1931-2022)

Também nos deixou, no dia 08 de abril, o grande jurista Dalmo de Abreu Dallari, professor emérito da Faculdade de Direito da USP, aos 90 anos, em São Paulo. Dallari foi grande defensor da Democracia no momento em que o Brasil vivia a longa noite da ditadura militar.

Boa semana a todos.

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