FORMAÇÃO POLÍTICA

Drops de política

JOÃO FIGUEIREDO – 15/3/1979 A 15/3/1985

Figueiredo, bem ao estilo militar de fazer política, chegou a afirmar que preferia o cheiro de cavalos ao cheiro do povo.

O processo de abertura democrática, que ganhou consistência quando Geisel conseguiu afastar a ala linha-dura da disputa por sua sucessão, acabou por se materializar sob João Figueiredo, que foi portanto o último presidente-general do período. Todavia, o processo garantiu duas coisas que aos militares era essencial: que o país continuasse com uma política conservadora e que não houvesse possibilidade de os militares serem alcançados futuramente pela Justiça devido aos atos de violência praticados no período.

Ainda em 1979 foi aprovado um decreto pelo qual o bipartidarismo era extinto no Brasil. Na verdade, o governo mirava diluir a oposição em diversos partidos enquanto a Arena (o partido governista) se manteria íntegro e seria transformada no PDS Partido Democrático Social. Já o opositor MDB, conforme previsto, se dividiu e foram fundados o PMDB – antigo MDB; o PDT; o PP; o PT logo após o referido decreto.

Mesmo tendo sido empurrada para fora do governo, a linha-dura continuava a atuar tentando impedir a redemocratização do país. Atentados foram realizados, sendo o mais emblemático deles a explosão de uma bomba no Centro de Convenções do Rio de Janeiro, que deveria ser atribuída à esquerda comunista mas que foi desmascarada por ter acontecido, acidentalmente, no colo de dois oficiais dentro de um carro no estacionamento do local, que deveria receber um show para os trabalhadores no dia seguinte – 1º de maio de 1981.

Mas o ponto crucial para a entrega do governo aos civis foi o econômico. O país estava ingovernável na economia – a inflação era endêmica e a recessão violenta. A campanha das Diretas-Já ganhou força nas ruas, mas o próximo presidente não foi eleito pelo povo, mas ainda por um parlamento pelo voto indireto. Fosse eleições diretas quem deveria vencer o pleito seria Ulysses Guimarães, que depois ficou conhecido pela promulgação daquela que ele batizou por Constituição Cidadã, de 1988. Venceu no colégio Eleitoral todavia, alguém mais “confiável” pelo sistema – Tancredo Neves.

Tancredo Neves acabou ficando conhecido como o “martir da democracia”. Coincidentemente faleceu em um 21 de abril.

Mesmo assim, Tancredo faleceu antes de sentar-se na cadeira presidencial. Adoeceu dias antes de sua posse e passou por diversas cirurgias, das quais não resistiu. Tomou posse um ex-arenista, José Sarney, que pouco antes das eleições transferiu-se do recém fundado PDS para o PFL, tornando-se assim ‘opositor’ ao governo militar que minguava.

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