Em março deste ano, diversos caciques do PSDB assinaram uma carta na qual pediam para que o então governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, naquele momento assediado por Gilberto Kassab para migrar para o PSD e concorrer à presidência por aquele partido permanecesse no partido dos tucanos. Segundo a carta “Não admitimos a possibilidade de o perdermos, nesse momento crucial para a história do Brasil”.
O próprio presidente do partido Bruno Araújo endossou o documento. Mas também outras figuras de grande envergadura no partido assinaram – Tasso Jereissati, José Serra, Aécio Neves, Pimenta da Veiga.
Fernando Henrique Cardoso, cardeal do partido e convalescendo-se de uma cirurgia, não assinou e mandou um recado dias depois – o PSDB precisa respeitar as prévias que fez.

O fato é que após isto, Leite permaneceu no partido com a promessa de uma ala do partido que ele iria ser o representante dos tucanos no pleito presidencial – e mais – de que ele iria representar toda uma união do centro democrático, que seria composto pelo PSDB, Cidadania (partidos que estão em processo de Federação Partidária), mas também pelo MDB e também pelo União Brasil. Não é pouca coisa – e Leite ficou.
Após isto, Doria e Leite passaram a promover suas pré campanhas em paralelo – Doria com o carimbo de campanha oficial do PSDB e Eduardo Leite com uma pseudo chancela do centro democrático.
Porém, após ter se encontrado com João Doria, Eduardo Leite percebeu o risco de judicialização de uma possível candidatura sua para a presidência pelo PSDB – caso o partido de fato deixasse Doria de fora da corrida presidencial.

Também percebeu que a ala que pretendia sustentar sua pretensa candidatura não teve força para, neste momento, promover seu nome durante as chamadas que o partido terá na TV – Leite ficou de fora de qualquer publicidade neste momento, cabendo toda ela a Doria, que vai vender-se como o “pai das vacinas no Brasil”.
É diante deste quadro que surgiu outra carta, agora escrita por Leite, na qual o gaúcho afirma que: “O PSDB deve ter candidato a presidente e liderar o centro democrático. Hoje este nome é João Doria, por decisão dele e das prévias – das quais nunca se buscou tirar a legitimidade”.
Deixa, todavia, uma porta aberta ao afirmar que, “qualquer caminho diferente depende de entendimento com o próprio candidato escolhido. Assim, me coloco ao lado do meu partido e desta candidatura, na expectativa de que a união do PSDB contribua com a aguardada unificação dos atores políticos de centro.”
Nas palavras de Doria, trata-se de um ‘ato de grandeza’ de Leite. Para o presidente da sigla Bruno Araújo cuida-se de uma “carta madura de um homem público compromissado com o seu estado, o seu país e o seu partido.”
Tudo isso é verdade. Seja qual for a real intenção de Leite, jogar água na fervura do PSDB neste momento é o mais sensato que poderia – e deveria – fazer. Cabe verificar os próximos passos.
Ao que se sabe, nesta segunda-feira líderes do MDB, do União Brasil e do PSDB irão se reunir para definir os critérios que serão adotados para a escolha de um nome que irá representar o que vem sendo chamado de ‘centro democrático’ em outubro.
