FERNANDO COLLOR – 15/3/1990 A 2/10/1992

Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente enfim eleito pelo voto popular após o longo período da Ditadura Militar. Para concorrer, criou-se um partido – o PRN – Partido da Reconstrução Nacional -que logo angariou a simpatia da elite e da imprensa. Em pouco tempo despontou como uma imagem moderna mas também agressiva, que discursava furioso contra a esquerda – naquele momento representada tanto por Leonel Brizola (PDT) quanto por Lula (PT). Na verdade, Collor foi a solução encontrada – e inventada – para impedir a vitória da esquerda nas eleições daquele ano.
Collor promoveu uma ampla abertura do mercado brasileiro, que era muito fechado. Para se ter uma ideia, naquele momento – inícios da Revolução Tecnológica – o brasileiro só podia comprar computadores feitos no Brasil – e nossa indústria de computadores era muito defasada em relação à mundial. O mundo já estava embarcando na Internet enquanto o Brasil parecia uma grande ilha isolada de toda aquela evolução nas comunicações.
Isto também acontecia em relação aos automóveis – o brasileiro não tinha acesso a carros mais modernos e devia se contentar com os modelos que eram produzidos pela indústria instalada no Brasil – por isso, Collor chamou nossos carros, naquela ocasião de “carroças”.
Mas para conter a inflação Collor foi ousado e propôs um plano econômico que simplesmente sequestrou valores depositados em poupança e em conta-correntes a partir de certo valor – equivalente a 1250 dólares americanos (o que hoje seria algo em torno de R $6.000,00). O valor seria devolvido paulatinamente após um período – fez isso para evitar que o brasileiro tivesse dinheirono bolso para comprar, o que desencadearia o processo inflacionário novamente.Só que, apesar de todo este esforço o processo inflacionário não foi contido. Pouco tempo depois, novo pacote foi lançado, novamente congelando preços e salários, mas a situação econômica do país – e do brasileiro apenas se deteriorou.
Politicamente, Collor perdeu logo o apoio que tinha no parlamento. Seu partido era insignificante e não tinha forças para sustentá-lo diante de deputados que se viam cada vez mais pressionados pela opinião pública em relação ao presidente – faltava um escândalo para ferir definitivamente o governo de morte – e não demorou muito a aparecer.
O próprio irmão de Collor, Pedro, denunciou em entrevista à revista Veja que o presidente liderava um esquema de corrupção, tendo como testa de ferro o tesoureiro de sua campanha, Paulo César Farias, que ficaria conhecido como PC. O caso era simples – com o consentimento de Collor, PC extorquia dinheiro de empresários que tinham negócios com o governo.
O Partido dos Trabalhadores logo protocolou um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI para apurar os fatos. A imprensa teve papel fundamental na elucidação de todo o esquema. Collor ficou isolado politicamente e resolveu fazer uma jogada arriscada – convocou o povo a sair às ruas com as cores verde e amarelo para demonstrar apoio ao seu governo. O povo saiu, mas de preto, sinalizando que desaprovava seu mandato.
A CPI terminou seus trabalhos com a conclusão de que a conduta do presidente não era compatível com “a dignidade, a honra e o decoro do cargo de chefe de Estado.” Logo veio o pedido de impeachment. Collor foi afastado do cargo e Itamar Franco, seu vice, assumiu interinamente. Enquanto se dava a votação final do processo no Senado, o advogado de Collor interrompeu a mesma para anunciar a renúncia do presidente, em uma tentativa de evitar danos maiores, porém, o prazo para isso já havia se esgotado. Collor foi afastado do cargo em um processo que a imprensa acabou anunciando como uma vitória da democracia.
