FORMAÇÃO POLÍTICA

Porquê parar numa terceira via?

É ponto incontroverso de que as eleições deste ano para a presidência da República está até o momento concentrada nos dois pólos que se auto excluem, num jogo interessante para ambos os lados pois isso lhes garante um lugar ao sol no segundo turno da disputa.

Lula e Bolsonaro saem ganhando com a polarização, eliminado assim pretensos adversários.

E, na tentativa de quebrar essa polarização tem-se buscado um nome de consenso que consiga se gabaritar para, deixando um dos pólos pelo caminho, possa enfim duelar pela presidência da República.

Este candidato teria grande chance de vencer porque teria todas as condições de captar os votos recebidos por aquele polo que saiu perdedor do primeiro round, eis que os eleitores deste jamais votariam no extremo que sobreviveu – matemática pura e lógica simples.

De saída, o PSDB, após unir-se em federação partidária ao Cidadania juntou forças com o MDB e, naquele momento, também ao União Brasil para oferecer um nome que pudesse preencher este vazio – o que convencionou-se chamar de “terceira via”.

Acontece que, como ficou claro com o decorrer do tempo, o PSDB não consegue se unir nem internamente. Rifou o vencedor de suas prévias partidárias, João Doria, sonegando a este o direito obtido pelo voto dos tucanos.

Mas antes mesmo disto o União Brasil – que foi formado pela fusão dos antigos PSL e DEM já havia se retirado do acordo por entender que esta pretensa terceira via, factualmente, não existe. Sabe-se todavia, que a razão não é essa – o partido quer, em verdade, apoiar o lado que melhor lhe convier – isso faz parte do jogo. O partido possui ativos importantíssimos nesse momento como vultosas verbas para gastar e bastante tempo de rádio e TV, tudo muito útil e cobiçado por qualquer candidato neste momento.

Luciano Bivar, do União Brasil preferiu retirar seu partido de chamada frente democrática e tenta viabilizar seu próprio nome à presidência.

Mesmo assim, este grupo – PSDB/Cidadania e MDB – vem se arvorando no direito de se apresentar como uma ‘terceira via’. 

Mas diante de todas estas dificuldades e de tantas candidaturas que vem enfrentando percalços para se firmarem, surge um questionamento. E quanto a Ciro Gomes (PDT), porque o ex-governador do Ceará não pode se apresentar efetivamente como esta terceira via?

Quando se cogita a falar dos candidatos à presidência, o nome de Ciro vem sendo negligenciado ou tratado apenas como um apêndice à esquerda, um certo desdém ao nome de um candidato que já foi ministro de estado, governado e que possui um livro escrito intitulado “Projeto Nacional: O dever da esperança”. O que se vê, na prática, é que Ciro não está conseguindo decolar com sua campanha, não atingindo 10% das intenções de voto.

Ciro Gomes tem sido ignorado tanto por Lula quanto por Bolsonaro que não respondem às suas investidas.

Observa-se que, após ter sido tirado do páreo nomes como o de Sérgio Moro (União) e João Doria (PSDB), trabalha-se agora para dar o mesmo destino ao nome de Ciro Gomes.

A verdade é que quanto menos candidatos sobrarem, mais perto se estará de se eleger um presidente logo no primeiro turno e certamente de um dos dois pólos que hoje se autoclassificam como perfeitos para assumir o comando da Nação mas que têm o outro como inaceitável e intolerável para governar o Brasil. Isto certamente significaria um risco à nossa democracia e mesmo à ordem institucional vigente.

É preciso que os dirigentes partidários compreendam o momento por que passa a política nacional e façam esforços para viabilizar o diálogo político. O que se tem visto é um mero cálculo de ganhos imediatos que, infelizmente, os caciques dos partidos sabem fazer bem.

Ao rifar bons nomes que poderiam promover um debate mais amplo sobre nossas questões fundamentais, estão, na verdade deixando de lado suas preocupações com o futuro da Nação, deixando-se conduzir por uma discussão maniqueísta que oculta o seu verdadeiro objetivo: tomar, ou nele se manter.

Em 2018, Bolsonaro foi eleito exatamente porque, devido ao atentado que sofreu, ficou impossibilitado de debater diante do eleitor e apresentar suas verdadeiras ideias. Depois, foi só colocar as redes sociais para fazer o trabalho da desinformação contra os adversários e atrair para si o apoio de dirigentes partidários, que já sentiam o cheiro do poder exalar daquela candidatura.

Já passou da hora de deixar esta neblina se dissipar para que outros nomes possam, juntos, debaterem o melhor para o país. Se Tebet se anuncia como uma provável terceira via, porque não Ciro Gomes ser uma quarta ou Luiz Felipe D’ávila (Novo), uma quinta opção?

Se Tebet é a terceira via, porquê não uma quarta ou uma quinta via?

Sendo a política a arte do diálogo, devemos nos esforçar para escapar da armadilha do discurso uniforme, que apenas renega as grandes questões a segundo plano e se contenta com o perigoso jogo do “nós contra eles”.

No fundo somos todos brasileiros e brasileiras e é o destino de todos que está em jogo – tenhamos boa-fé.

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