
Lançada como pré-candidata à presidência pelo MDB-PSDB/Cidadania, Simone Tebet (MDB) tem pouco tempo para emplacar sua candidatura. Sua missão é tornar-se conhecida do grande eleitorado e enfim começar a pontuar nas pesquisas de intenção de votos. Porém, não foi o que aconteceu após o lançamento do seu nome.
Pesquisa Datafolha recém divulgada não apontou nenhuma alteração nas intenções de votos que a senadora possui.
Isso inclusive encoraja a ala do partido que pretende apoiar Lula (PT) na campanha. Um dos maiores defensores disto, Renan Calheiros (MDB-AL) tem insistido em que uma candidatura que possui em torno de apenas 1% de intenção de votos não pode ser levada adiante.
Para Simone, o tempo urge. A pista para que sua candidatura decole e ultrapasse a velocidade necessária para sair do solo está se tornando muito curta – mas, em política, sabemos, tudo é possível.
O União Brasil, que de início participava de uma suposta aliança ao centro, abandonou o projeto porque, segundo o presidente do partido Luciano Bivar, os partidos que deveriam se juntar ao esforço não estavam se entendendo nem mesmo internamente. No PSDB, por exemplo, João Doria foi abandonado ao relento pelo presidente da agremiação Bruno Araújo, mesmo após ter sido cacifado em primárias para concorrer à presidência.
Com este discurso, Bivar retirou o partido da aliança e lançou sua própria candidatura à presidência. Ainda, segundo o presidente do União Brasil, Simone Tebet pode não ter o nome enfim homologado em agosto, quando as candidaturas finalmente se encontrarão com o prazo final para serem registradas – e o discurso de Calheiros apenas reforça essas suspeitas.
O fato de ser pouco conhecida pode ser contornado – vários presidentes chegaram lá mesmo desconhecidos do grande público – Fernando Collor, em 1989 e o próprio Jair Bolsonaro em 2018 são exemplos disto. Além disto, se bem construída, sua imagem tem potencial para atrair a simpatia do grande eleitorado.
Tebet também tem a seu favor o quase certo reforço de ter um vice de peso. Tasso Jereissati (PSDB-CE) tem uma longa e estabelecida carreira política e sabe como e onde angariar os apoios necessários para ajudar na caminhada, ainda que pelo viés puramente político a candidatura da senadora perdeu muito ao ver o União Brasil afastar-se do projeto.
Agora, é acompanhar os próximos lances. A falta de unidade das siglas que compõem essa aliança podem, todavia, comprometer qualquer esforço. Tanto MDB como PSDB historicamente se automutilam nesses momentos. Alckmin, por exemplo, em 2018 se viu vítima de uma ala tucana nas últimas eleições e naufragou fragorosamente além de que, ultimamente, tem sido mais negócio apostar em uma bancada maior do que se esforçar por tentar fazer o(a) Presidente da República.
Assim, em alguns estados (do nordeste) o MDB tende a apoiar Lula e em outros (do sul) o PSDB tende a estar com Bolsonaro.
Também existe o fato de o MDB ser um partido que teve muitos políticos envolvidos em acusações de corrupção na operação Lava Jato. Dias atrás Tebet foi inquirida sobre isso em um podcast do Portal G1 e sua resposta foi meio evasiva: disse que não pertence a essa ‘ala’ do partido. Como assim, a candidata admite que seu partido tem uma ala corrupta?
Questões difíceis para a candidata responder – e superar. Estamos a menos de cem dias do pleito. Se for para decolar, tem de ser logo.
