FORMAÇÃO POLÍTICA

Mais do mesmo na Bahia

Salvador tem história! Foi lá que o Brasil de fato nasceu quando em 1542 a cidade foi constituída em capital da então colônia e foi lá que a independência brasileira, que aconteceu em 7 de setembro de 1822 no resto do país encontrou maior resistência lusitana e foi acontecer somente no ano seguinte, em 2 de julho de 1823 quando as tropas portuguesas foram finalmente derrotadas naquele reduto que Portugal se negava a entregar aos brasileiros.

Quatro presidenciáveis em Salvador

O feriado baiano foi movimentado e disputado – quatro presidenciáveis foram para lá testarem sua popularidade.

Jair Bolsonaro (PL) preferiu ficar fechado em sua bolha de adeptos. Fez seu já tradicional passeio de moto, que atravessou parte da orla da capital. Em discurso, prometeu aos brasileiros um dos combustíveis mais baratos do mundo.

Lula (PT), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) se juntaram ao povo e participaram de atos em prol da democracia. Fizeram caminhada pelo centro antigo da cidade.

O petista foi acompanhado de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB). Apesar de alguns alertas em relação à sua segurança, fez caminhada pelas ruas da cidade acompanhado também pelo governador do estado Rui Costa (PT). Depois, foi à Fonte Nova participar de um ato intitulado “Grande ato da independência”.

Ciro e Tebet também fizeram caminhada no meio do povo, pelas ruas da cidade. Quando os dois se encontraram, ficou claro que seus olhos brilharam. Mais tarde, Ciro postou em rede social: “Democracia é isso: convivência harmônica e respeitosa”.

Tebet e Ciro se encontram durante caminhada na Bahia.

Assim, chegamos ao mês de julho e a menos de 90 dias do pleito – Bolsonaro insistindo e reafirmando aquilo que tem falado e feito há um bom tempo, e demais candidatos pregando a democracia – Lula repisando em suas teses, muitas delas música para os esquerdistas mais exaltados, traz consigo Alckmin com a missão de convencer de que a dupla pode fazer um governo mais ao centro – e moderado.

Ciro Gomes, na tentativa de encontrar um discurso que convença anda flertando com o radicalismo e Simone Tebet ainda não conseguiu sequer mensurar o tamanho do desafio que é governar um país como o Brasil.

Fala-se que o país anda polarizado e isso é verdade – mas a verdade é que no momento, o que temos é somente dois discursos bem definidos, o que leva o eleitor a enxergar apenas essas duas opções.

Ciro, Tebet e outros candidatos que queiram de verdade entrar no páreo terão de mostrar o que propõem – encontrar um caminho que os distingua. Por enquanto, a única proposta que parece pairar no ar é a da negação – vota-se em Bolsonaro para evitar Lula e vota-se em Lula para evitar Bolsonaro – não pode existir modelo de disputa política pior.

O encontro da Independência da Bahia serviu apenas para reafirmar posições adrede demarcadas. Ao eleitor, sobra um cardápio, até aqui, quase sem opções.

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