FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições – estaduais

A desistência de José Luiz Datena (PSC) à disputa ao Senado abre caminho para que Márcio França (PSB) finalmente abandone a candidatura a governador e passe a disputar o Senado. Assim, a pista fica livre para Haddad (PT), além de reforçar a coligação PT-PSB no estado. Quem não gostou nada disto foi o candidato bolsonarista Tarcisio de Freitas (Republicanos), Datena era um nome forte, capaz de ajudar tanto Freitas como Bolsonaro em São Paulo.

O que embaralha todo esse raciocínio é o PSD.  Gilberto Kassab deveria ser suplente de Datena no Senado e, assim, o partido apoiaria Tarcísio. Com a desistência, o partido pode reabrir conversa com o PSB e assim, Kassab seria o suplente de Márcio França. Outro caminho para Kassab é ficar com Tarcisio e, nesse caso o PSD ofereceria o nome de seu vice. Gilberto Kassab disse que se pronuncia até sexta-feira, dia 8.

O PT carioca até pensou em cancelar o evento que está organizando com a presença de Lula no mesmo palanque de Marcelo Freixo (PSB) para o próximo dia 7. Apesar do impasse sobre o candidato ao Senado pela chapa, que tem  André Ceciliano (PT) e Alessandro Molon (PSB) na disputa, para a presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann, não faz sentido cancelar o evento já que Lula irá declarar seu apoio a Ceciliano.

No entanto, Molon, que é presidente do PSB no Rio, disse que não desistirá de sua candidatura ao Senado, o que pode dividir a esquerda carioca. A lei eleitoral permite mais de um candidato ao Senado em uma mesma chapa. Molon se sente traído por Freixo, que pediu a ele para retirar sua candidatura. Segundo Molon, ele o recebeu de portas abertas no partido e desde aquele momento já se sabia que ele seria o candidato ao Senado pela chapa de esquerda no estado.

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O ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) anda se animando com a possibilidade de se candidatar ao governo do estado. Seu partido, no entanto, o quer concorrendo para uma vaga na Câmara dos Deputados – é o cálculo que tem sido elaborado pelas siglas nessas eleições: como puxador de votos garante votos suficientes para o partido ter uma bancada maior e, consequentemente, mais poder de negociação com o futuro governo bem como mais fundo eleitoral.

Apoiadores de Moro (União) no estado estão trabalhando para a candidatura do ex-juiz ao Palácio Iguaçu. O partido, porém, prefere ver Moro candidato ao Senado, apoiando assim  a reeleição de Ratinho Júnior (PSD) que representa os interesses de Bolsonaro no estado. Outra opção que o partido avalia é lançá-lo a deputado federal, já que ele poderia ser um grande “puxador” de  votos para a sigla.

A esquerda catarinense conseguiu unir oito partidos em torno do nome de Décio Lima (PT) ao governo do estado. Já a direita está fragmentada em cinco candidaturas, entre eles Carlos Moisés (Republicanos) e Jorginho Mello (PL). Apesar de Santa Catarina ser um dos estados mais bolsonaristas do país, disputas intestinas podem entregar o governo do estado para a esquerda.

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