As primeiras eleições diretas para a presidência da república após a redemocratização do país se deu logo após a promulgação de nossa atual Constituição e a sede de democracia era tamanha que vinte e dois candidatos se apresentaram para o pleito. Entre eles, o atual comentador político Fernando Gabeira (PV) já trazia ideias ecológicas em seu discurso. Ulysses Guimarães (PMDB), o ‘senhor diretas’, assim como Gabeira, foram muito pouco votados.
Intelectuais como Enéas Carneiro (Prona) e Celso Teixeira Brant (PMN), jurista, professor e escritor político também amargaram poucos votos. Venceu Fernando Collor de Mello (então no PRN). O Brasil conheceria em pouco tempo escândalos sem conta e um processo de impeachment que colocou nossa recém implantada democracia sob forte risco – resistimos, mas convenhamos – escolhemos mal.
Em 1994 e 1998 venceu o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu seu primeiro pleito, foram apenas seis os candidatos e, quem ficou pelo caminho foi o atual Senador José Serra (PSDB) e Ciro Gomes (então no PPS).

Em 2006 Lula venceu novamente e, a despeito do petista ter enfrentado denúncias de corrupção que começavam a minar a capacidade política do PT, quem não obteve atenção do eleitor foi Cristovam Buarque (PDT) que, como governador do DF foi quem por primeiro implantou o Bolsa Escola no Brasil – um preocupado com educação, certamente uma de nossas maiores mazelas.
Após apresentada por Lula, Dilma Rousseff (PT) levou as eleições de 2010 e 2014, essa última por pouca diferença sobre Aécio Neves (PSDB), neto de Tancredo Neves (MDB), que foi o primeiro presidente civil após a ditadura, mas ainda eleito pelo voto indireto do Congresso Nacional. Em 2010 Dilma venceu José Serra (PSDB) mas também estava na cédula Marina Silva (então no PV). Marina também foi nome importante em 2014, tendo momento de liderança nas pesquisas – mais uma vez a pauta verde foi preterida pelo eleitor.
Em 2018 o fato de Jair Bolsonaro (então no PSL) ter sido vítima de um atentado que o retirou da campanha – algo que poderia ter sido prejudicial, acabou lhe sendo profundamente benéfico – longe dos debates decisivos, o eleitor não pode o conhecer o suficiente e as redes sociais acabaram por lhe apresentar como ‘o novo’ contra a ‘velha política’ quando, na verdade, se tratava de um político abrigado há bastante mandatos na Câmara dos Deputados.
Geraldo Alckmin definhou vendo sua própria sigla, o PSDB apoiar Bolsonaro em diversos estados, inclusive São Paulo. Fernando Haddad (PT) perdeu para Bolsonaro no segundo turno e nomes como os de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB) não conseguiram a projeção necessária para decolar.
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Para estas eleições que se aproximam, o nome que poderia ter um pouco mais de atenção do grande eleitorado é o de Luiz Felipe D’Avila, candidato do partido Novo à presidência.
Cientista político, fundou uma plataforma na Internet chamada VirtùNews, dedicada a analisar política e economia. https://virtunews.com.br/ – D‘Avila oferece seu nome a um eleitor, assim como ele, mais politizado – mas não consegue atingir a massa dos eleitores que, ao final, irá conduzir um nome à presidência do país.
Como escritor, publicou pela Editora Mameluco “Caráter e Liderança, nove estadistas que construíram a democracia brasileira” onde elenca o nome de personalidades que, cada um à sua maneira produziram, pode-se dizer, o “lado bom” da política brasileira: José Bonifácio de Andrada e Silva, Joaquim Nabuco, D. Pedro II, Prudente de Moraes, Campos Salles, Rodrigues Alves, Oswaldo Aranha, Ulysses Guimarães e Fernando Henrique Cardoso. Talvez tenha o sincero desejo de deixar seu nome em uma próxima edição que, no futuro, algum cientista político se aventure a escrever.

O partido ao qual pertence, o Novo, se recusa a aceitar verbas do fundo eleitoral e, aliás, qualquer financiamento público por entender que recursos vindos dos impostos do contribuinte devem ser gastos exclusivamente com o próprio contribuinte, através de educação, saúde, segurança pública e etc.
Não se tem a menor notícia de qualquer envolvimento do candidato com qualquer questão de corrupção. Então, se o eleitor brasileiro reclama tanto da má política, por que razão um nome como o de D’Ávila é quase traço nas pesquisas de intenção de votos?
E mais, em um tempo em que se busca desesperadamente por alternativas para que nosso planeta consiga barrar a degradação ambiental, um candidato à presidência de uma potência ecológica – o Brasil – se dispõe a colocar em seu programa de governo um ambicioso projeto de transformar o país em uma economia carbono zero – isso não é pouca coisa!, – mas sua voz não encontra o menor eco na disputa que se aproxima.
É notório que a população não enxerga com bons olhos, diante de tantos problemas sociais que o brasileiro enfrenta, destinar-se 4,9 bilhões de reais do fundo eleitoral somente para custear gastos de campanhas.
Ora, se o partido Novo se recusa a receber esse valor, devolvendo aos cofres públicos a sua parte, prejudicando-se enquanto partido, porque isso não se transforma em um ativo eleitoral para o candidato?
Sabedor disso e ciente de que o eleitor do ex-pré-candidato, esse sim bem conhecido, Sérgio Moro possui o perfil que ele procura, D’Ávila tem tentado se aproximar deles para, quem sabe assim, abrir um flanco onde seu nome possa ser ventilado com mais fluência. Nesse sentido, reuniu-se recentemente, em uma live, com grupos que apoiavam o ex-juiz, entre eles o “Médicos contra a corrupção”, o “Somos muda Brasil” e o “Onda livre”.
Sabe-se que é pouco e não se quer aqui afiançar nenhuma candidatura mas é curioso observar como uma voz que aparentemente dialoga perfeitamente com os anseios do momento, não consegue se fazer ouvir.
Outros casos já aconteceram no passado recente da política brasileira. Bons candidatos muita das vezes por questões de princípio não conseguem decolar. Caberia ao eleitor se politizar mais para conseguir farejar uma boa oportunidade que se lhe apresenta. Votar é coisa séria.
