FORMAÇÃO POLÍTICA

Basta de atalhos!

Não foram apenas as manifestações a favor da Democracia que devolveram esperança ao país –  foi a firme determinação de defendê-la para além das palavras.

crédito da foto: www1.folha.uol.com.br
Arcadas do Largo de São Francisco foi palco de manifestação que uniu diferentes atores sociais em prol da Democracia brasileira.

O brasileiro é um povo que nas horas cruciais sempre soube defender o que interessa – a sua manutenção como Nação. Eis aí uma das razões pelas quais o Brasil se constituiu em um gigante com dimensões continentais enquanto a América Espanhola se esfacelou em diversos países.

Nesse sentido, o dia 11 de agosto de 2022 foi memorável – foi a demonstração de que a sociedade civil está antenada quanto a qualquer movimentação estranha que possa ser pretendida pelos inimigos da democracia. Foi uma resposta antecipada para o 7 de setembro, já que, ao que parece, alguns querem sequestrar e transformar esta data tão especial – nossos 200 anos de Liberdade! – em ato cívico que na verdade nada mais pretende do que retirar do povo sua real liberdade – a de viver em uma sociedade livre e quiçá igualitária, algo duramente conquistado e ainda em processo de maturação.

7 de setembro de 2021 – protestos questionaram a lisura das urnas eletrônicas.

Foi um sinal claríssimo de que, diferentemente de 1964, desta vez não haverá golpe e este é o grande passo que o Brasil está ensaiando – vencer uma triste sina que acompanha a nossa história, a verdadeira causa de fundo de nossa impossibilidade de desenvolver-nos  com consistência. 

É necessário que nosso sistema político amadureça o suficiente para que os frutos comecem a aparecer – primeiro se planta, depois se cuida para, enfim, colher. Mas o chamado ‘capital’ nem sempre pensou assim.

O capitalismo brasileiro se desenvolveu de costas para a base popular. Não compreendeu – ao menos até esse momento – que uma classe média vigorosa cria um mercado tão potente que inexoravelmente levará o Brasil a ocupar uma posição junto aos países desenvolvidos do planeta – potencialidade não o falta.

Acontece que os ganhos mais imediatos sempre foram a mola propulsora que conduziu o capital em relação à política do país. Esquece-se que essa multidão, órfã de Estado é que forma o amálgama que nos brindará com esta tão esperada e necessária classe média.

Deste modo, os donos do capital jamais se preocuparam com o sistema político. O que ocupava seus cálculos era se o sistema político daria a eles as ferramentas para a manutenção deste estado de coisas – benefícios fiscais, fechamento do mercado a produtos estrangeiros ou a criação de empresas “campeãs nacionais”. Acontece que, nesse momento, parece que o capital finalmente acordou e entendeu que a democracia é a chave para a criação deste mercado consumidor dinâmico. Quando a Inglaterra percebeu isso, no início da Revolução Industrial, passou a condenar a escravidão. Nossos capitalistas não perceberam isso ainda?

Assim, ao falar antecipadamente NÃO ao golpe, o capital se junta a outras áreas dinâmicas da sociedade para oferecerem ao cidadão comum um caminho a seguir – o respeito à ordem democrática. Sim, porque o cidadão comum fica de olhos abertos para este tipo de manifestação e logo se posiciona – e sem esse cidadão comum para apoiar qualquer golpe, impossível de se perpetrá-lo.

Em outros momentos da história – o mais agudo deles, em 1964 – a população acreditou na orientação que vinha do capital, de setores da classe artística, da imprensa e até mesmo da Igreja para chancelar um golpe de estado. Tempos depois, vislumbrando o engodo, essa mesma população foi às ruas, sentindo-se traída pelos militares.

Em 1964 a população acreditou que lutava contra o comunismo no Brasil.

Agora o próprio capital se manifestou e, unido a artistas, intelectuais e imprensa – ratifica um alerta o povo de que a Constituição tem de ser respeitada – não há outro caminho!

Que o vencedor ou vencedora do pleito que se aproxima governe o Brasil pelos próximos quatro anos a partir de 2023. É assim que se constrói uma sociedade mais justa e igualitária. É assim que se edifica uma Democracia. Basta de atalhos!

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