Democracia não se resume ao respeito às eleições. Instituições devem ser preservadas para poderem colaborar, cada qual em sua esfera, com a criação de sociedades mais justas e igualitárias.
Pesquisa Datafolha divulgada na semana que passou não deixa dúvidas. O povo brasileiro quer viver sob a Democracia. Para três em cada quatro cidadãos brasileiros, a Democracia é um bem a ser preservado. Para apenas 7% dos entrevistados, “em certas circunstâncias é melhor uma ditadura”. Isso é uma resposta dura a quem quer que seja que esteja sonhando, neste momento, com um retrocesso institucional. Convém mudar o discurso.
Quando se fala em ruptura institucional, infelizmente a imagem que nos vêm à mente é a de nosso atual presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mas, na posse do Ministro Alexandre de Moraes como presidente do TSE – Tribunal Superior Eleitoral, na noite do último dia 16 de agosto, parece que finalmente Bolsonaro foi colocado frente a frente com uma senhora que não tem por costume perdoar a quem não lhe respeita – a República.

Diante dos poderes republicanos ali representados, o chefe do Executivo nacional rosnou sem poder mostrar os dentes. Bolsonaro sentiu o peso do Estado. Seu semblante o denunciou.
Vez após outra, nosso atual presidente vem protagonizando momentos que ficarão para a história – e a história há de confirmar que, a despeito de todos os ataques que um dia um presidente promoveu contra as instituições que, em última análise, lhe garantiram governar um país do porte do Brasil, foram elas que sobreviveram.
Poucos dias antes deste acontecimento sui generis, as arcadas do Largo de São Francisco, em São Paulo, foram palco de uma manifestação que uniu a sociedade civil, enviando um recado muito claro para quem quer que se aventure a tentar alterar o curso de nossa história: enfrentará resistência.
Preocupado em não fazer esse movimento cair no esquecimento, o grupo que idealizou o manifesto em favor da democracia pretende criar um fórum permanente para a defesa da democracia brasileira- até porque estão convocados pelo próprio presidente, para o próximo dia 7 de setembro atos que, a princípio, pretendem atentar contra o processo democrático.
Segundo os organizadores, a ideia é manter uma “vigília cívica contra as tentativas de ruptura”. O grupo será instituído com representantes da sociedade civil e deve manter acesa a chama dos atos promovidos em 11 de agosto, pela USP.
Cuida-se de notícia alvissareira, na medida em que o tom das ameaças contra nosso elogiado sistema eleitoral vem aumentando conforme as eleições se aproximam. E, a despeito disso, a ideia é manter o grupo em funcionamento mesmo após as eleições. Devemos lembrar que a invasão ao Capitólio – algo até então impensável de acontecer nos Estados Unidos – ocorreu dois meses após as eleições.
E para contrapor a qualquer ato antidemocrático, também está previsto para o dia sete de setembro uma missa com o Padre Júlio Lancellotti, famoso por suas ações sociais na cidade de São Paulo. Uma missa em ação de graças por um momento tão sublime – nossos 200 anos de independência política!
A sociedade civil e agora os poderes republicanos já mostraram que exigem o cumprimento das regras democráticas quando da alternância do poder, o que se dá de quatro em quatro anos.
O atual presidente tem a prerrogativa de tentar permanecer no cargo. A prerrogativa que lhe falta é a de tentar desestabilizar o processo eleitoral.
Se no momento assitimos a um Congresso que vacila diante de um presidente que intenta romper os seus limites institucionais, é bom ver que a República tem outras instituições para lhe frear os ímpetos – e o semblante de Bolsonaro no plenário do TSE deixou claro que ele entendeu muito bem o recado – ditadura nunca mais!

A LIBERDADE DE IMPRENSA E DE OPINIÃO QUE VOCÊ USA CONTRA O BOLSONARO FOI GARANTIDA DURANTE O GOVERNO BOLSONARO! AO CONTRÁRIO DO LULA, ESSE CANALHA, ESSE LADRÃO, ESSE APÁTRIDA QUE DESEJA REGULAMENTAR A MÍDIA! SOBRE ISSO, NENHUMA PALAVRA SUA! É EVIDENTE QUE VOCÊ É UM PETISTA OU ESTÁ SENDO PAGO PARA ESCREVER CONTRA O BOLSONARO, O QUE DÁ NA MESMA! EM QUAISQUER DAS HIPÓTESES VOCÊ ESTÁ FAZENDO UM PAPEL DESPREZÍVEL, O DE UM JORNALISTA VENDER A SUA PENA!
POR OUTRO LADO ALGO ME CONFORTA. QUANDO O BOLSONARO VENCER AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES VOCÊ CONTINUARÁ A VENDA!
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Prezado Eugênio, obrigado pelo seu comentário.
Não podemos, todavia, deixar sem resposta algumas afirmações. Nesse sentido, cabe alguns exclarecimentos.
O texto não faz, necessariamente crítica ao presidente Jair Bolsonaro, a crítica é dirigida aos ataques que o chefe de nosso Executivo tem desferido contra a Democracia brasileira – e nesse ponto, somos intransigentes – defenderemos a perenidade de nossa Constituição pois entendemos que apenas com o tempo uma democracia plena poderá ser alcançada pelo Brasil.
Somente esta democracia plena nos garantirá que a liberdade de imprensa continue a vigorar no Brasil – conhecemos as ideias de Lula nesse sentido e achamos igualmente, indignas de quem pretende ocupar um posto desta envergadura.
Do mais, não recebemos contribuição financeira de qualquer partido político. Nossos valores não estão à venda.
Esperamos que continue nos dando a honra de sua atenção.
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