FORMAÇÃO POLÍTICA

Os vencedores do primeiro turno

O movimento político conservador conhecido como bolsonarismo foi o grande vencedor das eleições gerais do Brasil em 2022. Mas, a maior das vitórias é esta: a vontade popular foi respeitada nas urnas.

O bolsonarismo ultrapassou Bolsonaro. Esse movimento foi o grande vencedor das eleições gerais do Brasil em 2022. Enquanto sua figura maior, o presidente Jair Bolsonaro (PL) terá  de enfrentar um segundo turno no qual a habilidade política de Lula (PT) em aglutinar forças irá pesar, o movimento sai fortalecido no parlamento e nos estados.

Acontece que em suas pautas, o bolsonarismo já ultrapassou Jair Bolsonaro.

O político, com o tempo e a duras penas vem aprendendo que governar é negociar – ainda que ao seu modo.

Já o movimento que nele se inspirou, parte para uma nova fase – trabalhar o parlamento, fazendo do movimento um projeto de mais longo prazo.

O Senado Federal, por exemplo, que nestas eleições irá trocar um terço de seus ocupantes, receberá uma forte guinada conservadora composta por ex-ministros e políticos ligados ao governo Bolsonaro ou ex-aliados.

São nomes como o de Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura ou Marcos Pontes (PL-SP), ex-ministro da Ciência e Tecnologia, que surpreendeu em São Paulo.

Também estão no pacote figuras que não se alinharam diretamente ao presidente, mas que podem muito bem se acomodar às pautas bolsonaristas. Hamilton Mourão (Republicanos-RS), atual vice-presidente da República, e Sérgio Moro (União-PR) aqui se encaixam.

Também antigos e novos aliados, como Magno Malta (PL-ES) ou Cleitinho (PSC-MG), irão ajudar a transformar a casa em um templo de causas conservadoras.

Já na Câmara dos Deputados, polêmicos ex-ministros de Bolsonaro encontraram guarida. O ex-ministro da saúde durante o pior momento da Pandemia de Covid-19, general Eduardo Pazuello (PL) foi o segundo mais votado no Estado do Rio de Janeiro e o ex-ministro do meio-ambiente, que mandou “passar a boiada” sobre as leis ambientais durante a pandemia, Ricardo Salles (PL) se saiu bem em São Paulo.

A nova composição da Câmara, aliás, não deixa dúvidas. Foram eleitos 273 deputados que figuram em partidos do centrão ou de extrema-direita. O Partido Liberal, do atual presidente, elegeu 99 deputados. Partidos da coligação que apoia Lula fizeram 138 deputados.

Bolsonaro também sai fortalecido no pleito para governadores. O sucesso obtido em São Paulo com Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) é sintomático e o fato de Romeu Zema (Novo-MG) ter-se definido reeleito abre possibilidade de conseguir o palanque que lhe faltou no primeiro turno, quando o mineiro preferiu manter-se longe da polarização. 

Minas foi o único estado do Sudeste onde Bolsonaro perdeu as eleições para Lula neste primeiro turno e é o segundo maior colégio eleitoral do país, além de simbólico – reza a lenda que quem vence ali, vence no Brasil.

Passado o primeiro turno das eleições e, a despeito destas conclusões, outra, ainda mais importante, faz-se necessário destacar – quem venceu foi a nossa Democracia!

Apesar de alguns eleitores terem enfrentado filas, o processo se deu sem ocorrências graves.

O processo eleitoral brasileiro transcorreu de maneira normal, sem violência, graças à dedicação e rigor com que o TSE apresentou-se diante dos desafios que lhe foram impostos.

Democracia é isso: o povo eleger seus representantes para governar porque só assim a vontade de seu povo será respeitada.

Neste sentido, nossa Democracia foi a grande vitoriosa. Que assim seja também no segundo turno.

Um comentário em “Os vencedores do primeiro turno”

  1. A MAIOR SURPRESA DESSAS ELEIÇÕES NÃO FORAM ESSAS ELENCADAS PELO COMENTARISTA. A INCRÍVEL SURPRESA FOI A SOMA DE VOTOS QUE O LULA OBTEVE! COMO É POSSÍVEL UM CORRUPTO, UM LADRÃO, UM CANALHA AINDA MERECER A CONFIANÇA DE TANTA GENTE! O PROCESSO POLÍTICO DEMOCRÁTICO É SURPREENDENTE.

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