Discutir a conveniência – ou não – das pesquisas eleitorais durante o calor de uma disputa renhida como a atual só demonstra a imaturidade institucional de quem levanta tais questões.
Os institutos de pesquisa erraram quanto ao resultado do primeiro turno das eleições, especialmente em praças importantes como São Paulo. As pesquisas realizadas nas vésperas do primeiro turno não foram capazes de detectar o movimento de crescimento das intenções de votos para os candidatos alinhados ao atual presidente Jair Bolsonaro (PL).
Este fato foi suficiente para que parte de nosso legislativo se mexesse, em pleno processo eleitoral. Na verdade, alguns apenas aguardavam um deslize para agitar as águas.
Sabe-se, porém, que uma pesquisa é feita sobre uma determinada metodologia – e seus resultados não podem ser vinculantes. Quando um respondente aponta esse ou aquele candidato na pesquisa não está votando, está apenas apontando que se a votação fosse naquele momento, sua preferência recairia sobre tal candidato – mas é diante da urna que a decisão de fato se dá.
Não é incomum uma onda se levantar a poucos dias do pleito e alterar um quadro que vinha sendo desenhado. Votos podem mudar como muda o vento, especialmente em sociedades pouco politizadas e muito polarizadas, como é o caso do Brasil nesse momento.
O senador Marcos do Val (Podemos) apresentou um requerimento para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI em face dos institutos de pesquisa. Na Câmara dos Deputados, alguns projetos de lei propõem a criminalização da divulgação de resultados de pesquisas que apresentem erros acima da margem divulgada.

Esquecem-se, todavia, de que, assim como qualquer outro negócio, errar no resultado de uma pesquisa traz uma punição subjacente ao próprio instituto que a divulgou. Certamente, eles são bastante prejudicados com o próprio erro, afinal de contas, perdem credibilidade.
Também não existe apenas um instituto que promove pesquisas. Resultados díspares deixariam clara esta eventual preferência por um candidato. Se essa preferência existisse, ficaria evidente.
Sustentam esses legisladores, porém, que os institutos estão trabalhando para prejudicar o atual presidente, induzindo o eleitor a votar em candidatos não alinhados ao atual mandatário – e mesmo contra o próprio Bolsonaro. Se essa é uma linha de raciocínio que em uma democracia tem de ser respeitada, nem por isso ela está correta.
Levantar suspeitas sobre o processo e querer discutir sobre assunto tão complicado em momento já, por natureza tão delicado – esse é o problema.
As eleições presidenciais oferecem a oportunidade de se repensar o país mas, infelizmente, não é isso o que tem sido visto. Não bastasse os dois principais candidatos terem negado ao eleitor uma discussão de propostas, vem nosso legislativo colocar mais fogo na fervura. É momento de reflexão, não de mais turbulência.
A discussão sobre a conveniência das pesquisas eleitorais é pertinente. Se por um lado elas apontam tendências, podem, por outro, influenciar votos. São dois valores que precisam ser pesados pelos nossos representantes no Congresso – mas não agora!
Falar sobre assunto tão delicado nesse momento só demonstra uma lamentável imaturidade de quem deveria passar confiança ao povo mas que, por conveniência de momento, prefere tumultuar.
Sabem que não haverá nenhuma alteração na lei neste momento, o que pretendem é desacreditá-las, mantendo o assunto em evidência e tirando o foco daquilo que de verdade interessa: o futuro do nosso país.
