
Após assumir o comando da equipe de transição, Lula provocou uma mudança radical de percurso. Geraldo Alckmin (PSB), que vinha acomodando com habilidade os interesses e conduzindo o novo governo para um campo ao menos racional, foi deixado de lado.
Assim, ao assumir o comando da transição, Lula (PT) atropelou seu vice e passou a impor a politicagem como norma. A condução da questão da “PEC da Transição” é exemplo disto – o novo presidente tem negociado com Arthur Lira (PP) e, ao mesmo tempo, tentado derrotar a chamada “emenda do relator” no STF.
A Câmara dos Deputados, com os parlamentares ou de saída ou já garantidos para a próxima legislatura e diante do hiato do Executivo, tem deliberado da maneira que lhe é peculiar quando percebe que o clima de “libera geral” está no ar. Alterou a Lei das Estatais para permitir que políticos possam ocupar postos de comando nas empresas geridas pelo governo – uma aberração que com muito custo havia sido derrubada. No caso, o Senado tenta segurar o “estouro da boiada”.
Mas não é só a Câmara que está trabalhando contra os interesses do brasileiro. Imbuído de sua ideologia particular e definitivamente contra qualquer tipo de privatização, a equipe de transição de governo – agora sob ideologia lulista – já deixou claro que pretende desconfigurar o Marco Legal do Saneamento, revertendo incentivos para que empresas privadas se interessem por oferecer saneamento básico em um país que, em pleno século XXI ainda não consegue oferecer esse mínimo civilizatório a grande fatia de seu povo – claro, os mais pobres.
O Ministério da Educação, que estaria muito bem comandado nas mãos da atual governadora do Ceará, Izolda Cela (PDT), foi, por pressões do PT, oferecido ao senador eleito Camilo Santana (PT). Ora, se uma das referências no Brasil de desempenho educacional é o estado do Ceará, sendo a governadora uma das responsáveis diretas por isto, porque não conceder o MEC a quem de fato merece?
Outro caso de descompromisso com a eficiência em troca da politicagem partidária do PT está se dando com a figura de Simone Tebet (MDB). É notório que a ex-senadora e ex-candidata à presidência, que passou a apoiar Lula no segundo turno é uma das responsáveis pela vitória apertada do petista. De se pensar que Tebet teve mesmo de ‘tapar o nariz’ para encarar o desafio em nome da Democracia.
A Senadora jamais escondeu suas intenções de ficar com o Ministério do Desenvolvimento Social. Mas o PT, sabedor da grande visibilidade que um cargo assim tem, agora quer negar-lhe a pasta. Traição pura.
Os passos dados por Lula durante o período da transição demonstram que, a depender dele, o país terá “mais do mesmo”. Os oito anos que ocupou o Planalto e os outros que sua sucessora por lá esteve não ensinou nada ao (seu) partido, apenas aperfeiçoou o seu jeito politiqueiro de governar.
Por enquanto, a única diferença – e melhora no cenário – com o atual governo é que Lula é um democrata – ou ao menos as condições lhe obrigam a ser. Lamentável.
