
A posse de um novo presidente, em nosso regime, é um momento recheado de simbolismo. Lula já sentiu essa emoção no passado e pretende rememorar o sentimento.
É inclusive esperada a presença de diversos chefes de estados de países importantes para as relações internacionais do Brasil, como Alemanha, Argentina, Espanha, Portugal, o que por si só já demonstra a importância do retorno do petista ao Planalto – uma certa sensação de alívio.
Todo o cerimonial está sendo pensado para que Lula possa transmitir uma mensagem de esperança ao povo brasileiro – e ao mundo. Assim espera-se a presença de mais de trezentas mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília para acompanhar o evento.
Todavia, a par da parte oficial do cerimonial de posse, está previsto uma festa popular intitulada “Festival do Futuro”, no qual dezenas de artistas – com coloração claramente de esquerda, se apresentarão e com certeza se manifestarão.
Isto certamente vai soar como uma provocação desnecessária aos derrotados do último pleito eleitoral. O clima em Brasília já está tenso, especialmente depois da descoberta de um plano que pretendia explodir uma bomba no caminho do aeroporto da capital.
Talvez seja sim o caso de se comemorar a suposta vitória da democracia sobre as ameaças golpistas que rondaram o mais alto escalão de poder do país por longos quatro anos. Mas é certo que esse não é o momento mais adequado para grandes comemorações – sim, infelizmente, esse festival nesse momento é inoportuno.
O simples fato de Lula retornar à presidência não significa, necessariamente, que o povo brasileiro vai, como querem fazer crer os partidários do novo mandatário, reconquistar a alegria. Aliás, fica o alerta de Vinicius e Toquinho, “dia de festa é véspera de muita dor” – cuidado com a ressaca!
Há, na verdade, muito trabalho pela frente. A julgar pelos primeiros passos de Lula, o governo já não começa bem. Um Congresso profundamente fisiológico continua a mandar nos destinos do país e o Judiciário permanece na sua cruzada de interferir na política nacional. Quanto ao povo, esse segue dividido.
Nesse momento, a única coisa que esta festa fará é atiçar ainda mais a ira daqueles que precisam assimilar a derrota e trabalharem com vistas ao futuro. Esse ‘festival’ mais desune do que une. Definitivamente, esse festival não é o que nosso país precisa neste momento.
Nosso país precisa de trabalho sério, corajoso e despido de qualquer coloração partidária – nosso país precisa se reencontrar com a paz e com a vontade de crescer.
