País não aproveita o seu potencial turístico. A entrega da pasta em troca do apoio recebido durante campanha logo se mostrou uma péssima escolha.

A escolha de Daniela Carneiro (União Brasil) para ocupar o cargo de ministra do Turismo objetivou suprir apenas as necessidades políticas de Lula – prestigiar o apoio recebido durante a campanha, pelo marido de Daniele, chefe do União Brasil no estado do Rio; cumprir com sua quota de mulheres no primeiro escalão de governo e, por fim, dar a Luciano Bivar, presidente do União Brasil, mais um ministério. O caso virou um problemão.
Acontece que escolhas feitas neste nível de descuido não podem levar a outro caminho senão a uma prematura exposição do governo em um momento em que este ainda tenta se firmar sobre os próprios pés.
De se lamentar, em especial, que esta escolha tenha se dado em uma pasta que historicamente já é tão desvalorizada no Brasil – é vergonhoso o desempenho do país no campo do Turismo internacional – um país com nossas dimensões, recheado de atrativos naturais e riqueza multicultural simplesmente não consegue decolar. Isso deveria corar nossos governantes.
Não é por outra razão que nossos números no setor são irrisórios. Com exceção do chamado ‘turismo interno’, no qual o Brasil tem melhorado de posição no ranking mundial, ocupando atualmente o 11ª lugar, a entrada de turistas estrangeiros no país continua capengando. Isso se dá por uma série de motivos, mas especialmente devido ao quesito segurança. As pessoas não conseguem sentir-se seguras no Brasil!
O país fechou o último ano com algo em torno de 4,2 milhões de turistas estrangeiros. A França recebe aproximadamente 90 milhões de turistas ao ano e o México 45 milhões.
Nossos governantes parecem impedidos de enxergar o potencial turístico que o país tem – uma indústria que não polui e que, ao contrário, necessita preservar. Nossas atrações são essencialmente naturais, aliás, aquilo que o mundo anda afoito por consumir.
Por outro lado, o próprio currículo de Daniela demonstra o quão desprestigiado o turismo é no Brasil. Daniela é formada em pedagogia e professora do ensino infantil. Ocupou a pasta de Assistência Social de Belford Roxo, onde o marido é prefeito e foi secretária de Educação do Rio de Janeiro. Como parlamentar, participou da comissão de Educação, Seguridade Social e Família e Defesa dos Direitos da Mulher – nada muito ligado ao Turismo.
Para um governo que já se esforçou no passado por trazer a Copa do Mundo e as Olimpíadas ao país, a escolha atual parece um estrondoso retrocesso. Tomando por base a escolha de Lula para a pasta, não dá pra sentir a menor saudade dos ministros de Bolsonaro.
