Parece que ainda não ficou muito claro para os radicais que clamam por golpe o fato de que, nas palavras do presidente eleito Lula da Silva “golpe não vai ter”. Felizmente, não há condições sociais para isto, a sociedade não o toleraria e os militares – ao menos suas cabeças pensantes – sabem disto.

Portanto, o que parece faltar nesse momento grave, é um aviso claro e inequívoco para parte da população que insiste em retroceder no tempo, de que os militares não irão afiançar uma aventura desse porte.
Passada uma semana da tentativa fracassada – e absurda – de tomada do poder por extremistas bolsonaristas, as coisas tendem a se acomodar.
Presos em flagrante estão confinados e necessitam se defender. Outros mais de mil participantes daquela barbárie que foram indiciados, responderão pelos atos de que participaram no dia 08 de janeiro – terão de contratar advogado e enfrentar um processo desgastante e de final incerto.
Há guerra de versões sobre quem são os verdadeiros responsáveis por possibilitar o descalabro – onde e porquê a segurança falhou.
Mas o ponto nevrálgico, sabe-se, é atingir quem, de fato, financia e incentiva tais aventuras. Isto demanda um pouco mais de inteligência e investigação. O processo está em curso.
Acontece que este tipo de loucura só se tornou real porque o comando das forças armadas, em especial o Exército Brasileiro foi muito leniente em relação aos acampamentos que foram montados na porta de suas unidades, de norte a sul do país.
Já foi dito que estes acampamentos nada mais eram do que “incubadoras de terroristas”. Não tardou para a materialidade se consumar.
Desta maneira, cabe às forças armadas em geral e ao Exército brasileiro em particular colocar fim a estes devaneios. Mas não basta desmobilizar os acampamentos – o que já foi feito. É preciso ser mais claro.
A reunião que o presidente Lula fez com os presidentes do poder legislativo, com a presidente do STF e com os governadores (ou representantes deles) das vinte e sete unidades da federação na segunda-feira, dia 09 deixou claro que o poder civil não vai se curvar a ameaças.
Destaque para as palavras do governador eleito de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos) que, mesmo sendo um bolsonarista declarado, repudiou veementemente os atos e se posicionou firmemente em defesa da Democracia. Falta o Exército fazer o mesmo.
As Forças Armadas deveriam ter participado desta reunião. A palavra de seus comandantes, nesse momento, seria de grande valia. Mas, antes tarde do que nunca – já passou da hora de o Exército resolver suas diferenças internas e dizer, afinal, de que lado está.
