O Presidente Lula fez de sua primeira viagem internacional um momento de epifania da esquerda. Melhor seria se aproveitasse as oportunidades que tem tido para unir o país.

Lula da Silva assumiu sua terceira passagem pelo Palácio do Planalto e dias depois enfrentou uma intentona que deixa cada vez mais claro se tratar de uma tentativa real e orquestrada de golpe. Um golpe de estado que visava destituí-lo do poder.
Após isso, precisou promover um movimento arriscado para a substituição do comandante do Exército, colocando no cargo uma pessoa que tem um discurso mais democrático – aquele discurso correto que prega que o resultado das eleições deve ser respeitado.
Mas Lula ainda tem desafios a enfrentar, especialmente junto ao Exército. Tem muito oficial que não se conforma com a derrota de Bolsonaro e que toparia a aventura de um golpe de estado.
Enquanto a Procuradoria da República procura denunciar aqueles que participaram dos atos do dia 8 de janeiro, incluindo aí os que o planejaram e o financiaram, e enquanto o Judiciário se esforça para dar efetividade à caça aos golpistas, o presidente embarcou para sua primeira viagem internacional, cujo destino foi a Argentina com posterior passagem pelo Uruguai.
Na verdade, não foi uma viagem com a intenção de reaproximação com os nossos vizinhos. Foi uma “viagem” à esquerda, totalmente desnecessária neste momento grave. O momento é o de buscar apaziguar os ânimos no seu próprio quintal.
Se Lula se apressou em reafirmar a amizade com a Argentina, esqueceu-se de que tem de refazer seus laços com milhões de brasileiros que o querem ver pelas costas.
Se ao deixar a presidência quando de sua primeira passagem, o presidente deixou índices invejáveis de aprovação e popularidade, esse não é o cenário atual – está muito distante disso e o país está dividido.
Reunir-se com figuras como Alberto Fernandez (Argentina), Luis Arce (Bolívia), Gabriel Boric (Chile), Xiomara Castro (Honduras), Mario Abdo Benitez (Paraguai) e Gustavo Petro (Colômbia), todos de coloração esquerdista somente reforça o discurso dos insatisfeitos.
De se lembrar que Maduro (Venezuela) só não deixou Caracas por receio de ser detido na Argentina. Os Estados Unidos o querem preso. Não fosse isso, teríamos uma foto de Lula e Maduro estampando a capa de nossos jornais – pura provocação!
Anunciar que o BNDES passará a financiar obras em países da América Latina só faz reacender uma das principais críticas a seus governos anteriores. Falar em moeda comum – o Sur – neste momento somente reforça a desconfiança de suas reais intenções de governo.
Chamar o impeachment de Dilma Rousseff de golpe é outra insanidade que causa indignação àqueles que procuram se agarrar à normalidade institucional.
O discurso de bolsonaristas em particular e de antipetistas no geral visa combater exatamente isso. E aí que encontra-se o germe do pensamento anti-lulista.
Lula deixou Brasília para reforçar aquilo que deveria a todo custo evitar. Nada ganha e apenas reforça o discurso daqueles que têm má vontade em aceitar o seu governo.
Falta prudência e sobra prepotência a Lula neste início de mandato.
Uma postura adequada não o impediria de visitar a Argentina (se bem que Fernandez esteve em Brasília dias atrás!). Todavia, o atual presidente deveria se esmerar mais em tentar unir os brasileiros – e não dividi-los. Mesmo lá, poderia ter usado um discurso de união. Trata-se de preciosas oportunidades que vão se perdendo.
Já que o assunto ‘religião’ esteve tão em alta durante a corrida eleitoral, não será demais lembrar o que está na Bíblia: “aquele que não une, espalha”.
