FORMAÇÃO POLÍTICA

O golpe Tabajara

Fica cada vez mais claro que o 08 de janeiro foi um golpe articulado para se tentar derrubar um governo constitucionalmente eleito no Brasil. E fica cada vez mais clara a desorganização e falta de articulação desta turma que tentou o impetrar.

Tentativa de golpe se resumiu a desrespeito e destruição de patrimônio público.

Após as confusas declarações de um senador da república, Marcos Do Val (Podemos-ES), o Ministro do Supremo Alexandre de Moraes acabou por batizar a intentona como um Golpe Tabajara”.

Dias destes, o comediante Humberto Aranha, ex-integrante do programa humorístico da TV Globo Casseta e Planeta, publicou um artigo na Folha de S. Paulo contando-nos como o termo “tabajara” ganhou o significado atual.

Nome de tribo, passou a ser relacionado com “coisa mal feita ou vagabunda”. Termina o texto com uma questão instigante: “O Brasil é Tabajara ou as Organizações Tabajara são o Brasil?”.

Não há dúvida de que a semântica, para a tentativa frustrada é perfeita. O que aconteceu em Brasília naquele triste domingo foi exatamente isto – uma coisa mal feita e vagabunda.

A questão passa por admitir ou negar que o Brasil, como um todo, se resuma a isso. 

Não podemos esquecer que os Estados Unidos também passaram por um evento tão vergonhoso e mal organizado quanto o nosso – aliás, o 08 de janeiro já era previsto. A repetição do que ocorreu por lá já era esperada por aqui. Seriam os Estados Unidos Tabajara?

O Brasil é mais que isto. As pessoas que acordam às 5 da manhã e enfrentam um dia-a-dia complicado por deficiência de transporte público, entre outras mazelas, não estavam em Brasília naquela ocasião. Elas estavam descansando para mais uma semana de trabalho.

O Brasil não é Tabajara. Nem as Organizações Tabajara são o Brasil. O Golpe, sim, foi Tabajara.

Precisamos superar este nosso incômodo “complexo de vira-latas” que nos foi legado por Nelson Rodrigues. O ideal é entender, como quer o economista Eduardo Gianetti que ser vira-lata não é algo necessariamente ruim, nossa capacidade de resiliência prova isto.

Somos um povo miscigenado – nossa formação é universal. Se procuramos por vezes burlar as regras é porque não confiamos no Estado, que deveria fazer cumprir as normas que ele mesmo criou. Ao negligenciar suas funções, obriga o povo a “se virar” sozinho – assim, temos um Estado covarde que pune seletivamente.

A pureza que nos falta no sangue nos tornou um povo criativo. Basta que nossos governantes trabalhem em prol do povo e não para atender as eternas demandas das elites. Só assim as nossas gritantes diferenças sociais irão diminuir, e o nosso povo sofrido poderá finalmente se livrar deste famigerado “jeitinho brasileiro”. Sem confiança e apoio do Estado, impossível.

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