Como uma terceira via não foi viabilizada, saem os aloprados golpistas e entram os inconsequentes invasores de terra. Este é o Brasil da polarização política.
Durante a campanha eleitoral do ano passado, da qual Lula da Silva (PT) acabou vencendo porque, “antes ele do que Bolsonaro“, bons nomes foram deixados de lado por um eleitor que não quis arriscar a democracia.
O problema é que junto com Lula, todo um pacote que o brasileiro rejeitou em 2018 veio junto. A aproximação com a anacrônica esquerda latina é apenas um destes velhos enganos que um governo teimoso é capaz de cometer.
Depois, no lugar de encarar o princípio da reciprocidade nas relações internacionais pelo lado do “ganha-ganha”, preferiu atuar no atalho do “perde-perde” – voltou a exigir visto de entrada para turistas advindos os Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália.
Lula veio mais aguerrido. Perde a oportunidade de apaziguar o país. Vascila no âmbito internacional.
Insinua apresentar para a vaga que surgirá no STF o seu advogado particular. Disse que não vai respeitar a lista tríplice para a Procuradoria Geral da República – um verdadeiro acinte. Com quem será que ele aprendeu a esticar a corda assim?
Mas há algo que não é novidade. O que ele já fazia em governos anteriores e cujo partido que fundou é conivente há anos, parece disposto a continuar. Assim, dissimula diante da bandalheira que o MST promove quando quer pressionar o próprio governo petista a ajoelhar-se diante do movimento.
A consequência disto é que o discurso da direita radical, que prega resolver esse tipo de problema com violência armada ganha fôlego.
O movimento disse, através de sua direção na Bahia que “Apesar de termos expectativas com o governo Lula em relação à reforma agrária, o MST acendeu o alerta amarelo diante da demora do governo federal em nomear a presidência do Incra”. Na verdade, fazem chantagem para abocanhar poder.

João Pedro Stedile, um dos ícones da trupe, já havia alertado que, se o petista vencesse a corrida presidencial, o país voltaria a ter “grandes mobilizações”. Conhecido pelo radicalismo, Stedile entende o movimento como um exército que luta contra um inimigo, cuja figura é a do fazendeiro.
Em suas andanças tem chamado os ruralistas de inimigos. O governo não pode dar aval a isto.
Se bolsonaristas se sentiam à vontade para vestir o amarelo da seleção brasileira e delirar com os discursos golpistas de Jair Bolsonaro, seja na Avenida Paulista, seja na porta de estabelecimentos do Exército brasileiro, chegou a vez dos “soldados do Stedile” colocar as mangas de fora. Fazem isto porque contam com a conivência do governo de plantão.
Lula tem um país a pacificar. A política existe para organizar uma sociedade, não para colocá-la em pé de guerra.
Se Lula pretender tirar o forte cheiro que ainda vem de sua biografia, tem de esquecer as ultrapassadas ideologias e mirar em pacificar o país para que, aí sim, sua gente, trabalhadora, ordeira e sempre cheia de esperança possa retomar seu caminho. Em paz.
