País precisa superar estado pré-civilizado em que ainda está mergulhado no que diz respeito a violência e segurança pública.
Foi desbaratado essa semana um plano preparado pela organização criminosa PCC que pretendia, entre outras coisas, libertar bandidos, matar e sequestrar políticos e autoridades, enfim, um plano que visava colocar o problema da segurança pública no Brasil em outro patamar.
Ora, o Estado brasileiro vem sendo bombardeado por instabilidades que só fazem com que as coisas custem a melhorar por aqui.
Não é novidade que o crime organizado já conquistou fatias importantes do território nacional. São lugares onde a lei não chega. Melhor dizendo, lá prevalece a lei das milícias.
O carioca conhece bem esse enredo. Existem bolsões da “cidade maravilhosa” na qual o Estado organizado cedeu espaço para um “estado paralelo”. Funcionou como um pai que descuidou do filho e o perdeu para o tráfico. Regiões da capital carioca hoje estão entregues ao mando de milicianos.
O chamado “novo cangaço”, que vez ou outra espalha o terror por cidades médias país afora é outro indício evidente do nível de ousadia que a bandidagem atinge quando e onde a inteligência para o combate ao crime é negligenciada.
Na Amazônia, o mesmo cenário. Vastas porções do território amazônico hoje estão fora do alcance do Estado, entregues a todo tipo de bandidagem. Acontece que o poder não aceita vácuo. O que não se cuida, alguém cuidará e ali aplicará as suas próprias regras.
O Nordeste, como lembrou o jornalista Fernando Gabeira em seu podcast, se tornou um HUB de distribuição de drogas advindas da América do Sul para outros continentes. O resultado da empreitada pode ser conferido no Rio Grande do Norte.
Mas, voltemos um pouco ao nosso passado recente, desde já ressalvando que a chaga é antiga.
Sérgio Moro, logo que Bolsonaro foi eleito presidente, ingenuamente aceitou o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública. Para evitar julgamentos que podem não corresponder com a realidade de suas verdadeiras intenções, imaginemos que sua disposição naquele momento era mesmo a de combater o crime organizado, fato aliás que, a julgar pela disposição do PCC em assassiná-lo, parece plausível.
Acreditou em um governo que não estava necessariamente interessado nisso. O tempo mostrou, e a maneira pela qual o ex-ministro deixou o governo não deixaram a menor dúvida. A despeito do discurso de combater a violência, o crime organizado não foi combatido como deveria – pelo contrário, ele cresceu!
Talvez com o acontecido da última semana, pelo qual autoridades viram seus nomes escritos como réus em sentenças cuja condenação é a pena de morte ou o cativeiro, talvez assim nossas autoridades, principalmente Deputados e Senadores decidam de fato combater o crime organizado no país.

Mas, incrivelmente, o primeiro passo foi dado no sentido errado: políticos estão aproveitando a oportunidade para fazer dele aquilo que são especialistas – politizar.
Se Bolsonaro pretendeu incriminar a esquerda, Lula teve a capacidade de insinuar uma “armação de Moro” no episódio. Dá para acreditar onde fomos parar?
Na prática, todavia, o que se depreende do caso é o seguinte: enquanto o crime atormentava a vida dos cidadãos e parecia distante de Brasília não existia “vontade política” para se o encarar. Havia outras urgências a tratar – como o orçamento secreto.
Agora que as ameaças começam a bater à porta de ministros, senadores, governadores e sabe-se lá de que autoridades mais, talvez uma luz vermelha seja, finalmente acesa.
Porque a luz amarela já queimou faz tempo, de cansada…
