FORMAÇÃO POLÍTICA

Os cem dias de Lula-3

É lamentável – senão inadmissível – ver a presidência da república ser utilizada para continuar a fomentar a divisão da sociedade.

Lula chega a cem dias de governo com baixa popularidade.

Ao atingir cem dias de governo, uma marca sempre importante, Lula da Silva (PT) está deixando claro a que veio. Aceito pelo eleitor por ser a única opção viável para despejar Bolsonaro do Alvorada, o petista parece ter deixado o que tinha de “estadista” para vestir o manto do populismo barato.

Perde a oportunidade de se firmar como um líder capaz de superar diferenças e entregar  o que prometeu: fazer o país sorrir novamente. Até aqui, a coisa está mais para chorar…

Confuso, Lula se equivoca e tropeça na metáfora. Em uma de suas últimas análises da situação atual, o presidente deu mostras de imaginar que todos vêem o Brasil como um “cavalo pangaré”. Ora, ninguém está falando nada disso! O que se está criticando é o seu condutor.

Conveniências partidárias fazem o petista fechar os olhos para problemas que colocam sob suspeita alguns de seus ministros. Dificuldades em formar base parlamentar – nada disto deveria ser novidade para o experiente Lula. 

São situações que apenas comprovam como a vida do presidente da república em um país cuja política é centrada na manutenção de privilégios não é nada fácil. Mas Lula precisa ajudar e ao menos centrar-se mais em trabalho e menos em promover discursos que pregam a desunião.

Comete assim os mesmos erros do presidente anterior – ainda não deixou o palanque. Bolsonaro ficou agarrado ao palanque por quatro longos anos e no final acabou como o primeiro presidente a não conseguir a reeleição. Lula deve entender muito pouco de história.

Diante dos desafios iniciais, o que Lula está fazendo é se concentrar em dois objetivos: manter acesa a polarização política com Bolsonaro, que tão mal faz ao país, e apresentar “algo” que possa ser visto pelo cidadão como fruto do seu trabalho. Se esmera no primeiro objetivo e improvisa no segundo. Tem um vice experiente ao seu lado mas parece confiar mais em seus próprios equívocos.

Lula faria muito bem se utilizasse de sua reputação internacional para recuperar a imagem do Brasil no exterior. Todavia, as paranóias ora grandiloquentes – como tentar acabar com a guerra da Ucrânia – ora impertinentes – como alocar Dilma Rousseff na presidência do Banco dos BRICs – parecem cegar-lhe a razão.

O Brasil tem muito a trabalhar com questões globais, que o colocam em posição de destaque – especialmente nas ambientais.

Trabalhar com firmeza esses processos internacionais e confiar mais em seu vice para conduzir a política interna parece ser o caminho mais razoável. Alckmin possui mais equilíbrio para negociar com um Congresso arredio. Há reformas importantes para se fazer – Tributária e Administrativa em destaque.

Foram-se cem dias. O tempo passa rápido. Há tempo de se reposicionar.

Se Lula realmente descarta uma reeleição e pretende, de fato, limpar sua biografia, melhor deixar a política interna na mão de moderados e lutar por conquistas para o Brasil na arena internacional.

Até agora, o que Lula tem feito é manter a chama do bolsonarismo acessa. Infelizmente, talvez seja esse o seu maior interesse.

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