FORMAÇÃO POLÍTICA

A farra das CPIs

Parafraseando o saudoso Chacrinha, a CPI dos atos golpistas vem para confundir, não para explicar.

Nosso parlamento pretende perder tempo com investigações que não necessariamente precisavam se dar ali. Há respostas mais urgentes a se dar ao cidadão.

A atual legislatura do parlamento brasileiro é a que menos tem entregue trabalho há anos. Levantamento do jornal O Globo, publicado no último dia 23 de abril dá conta de que foram realizadas apenas dezoito audiências públicas contra 74 em 2015 e de que o número de votações ocorridas está em 60% menor do que há oito anos. Sempre levando em conta o mesmo período.

Os presidentes da Câmara Arthur Lira (PP), e do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) atribuem a lentidão à falta de capacidade do atual governo em consolidar a sua base aliada. 

De se lembrar que os presidentes das duas casas legislativas travam uma disputa sobre o rito de votação das Medidas Provisórias, o que tem atravancado o processo. Isso porque Lira ainda tenta se aproveitar de algumas manobras que a urgência da pandemia de Covid-19 proporcionou. Há várias MPs que estão para caducar.

Mas o problema maior é que, ao que parece, nosso parlamento pretende permanecer inútil. 

Apesar de não faltarem temas importantes a serem trabalhados, nosso parlamento – em especial a Câmara dos Deputados – está refém da mais rasteira maneira de se fazer política.

Ora, acabou de ser aprovada  a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito que pretendem investigar o MST, a manipulação no futebol, e o caso das Lojas Americanas. 

Isso sem falar na “CPI dos Atos Golpistas”, que vem mais para confundir do que para explicar.

Se são casos de polícia, melhor deixar para que o Ministério Público ofereça as devidas denúncias e a Justiça os julgue. Nosso Legislativo não pode gastar suas energias em discussões que, transmitidas pela TV mais se assemelham a querelas infantis, envergonhando a todos nós e enxovalhando o pouco que há de sério na condução da vida política deste país.

Agir assim é debochar das necessidades de nossa população.

Temos reformas importantes a enfrentar, mas a “Casa do Povo” prefere dissimular. Esse fato, por si só, já nos conduz à conclusão de que o Brasil não é levado a sério pelos nossos parlamentares.

No momento em que o país precisa se atualizar em relação a um mundo que se altera em velocidades estonteantes, nossos parlamentares preferem ficar trocando farpas em comissões parlamentares de inquérito que não vão levar a nada. 

Eles são bem pagos e deveriam trabalhar. Não estão trabalhando. Preferem estimular o caos, já que esta é a melhor maneira de não fazer nada, fazendo de conta que estão.

Um comentário em “A farra das CPIs”

  1. Comentário absolutamente verdadeiro. Enquanto isso a participação do Brasil no PIB global é a menor em 43 anos. E seguimos descendo a ladeira…….

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