FORMAÇÃO POLÍTICA

“Educação o tempo todo”

Educação precisa ser vista como política de Estado, não como política de governo.

Ministro Camilo Santana quer ampliar ensino em tempo integral

A atual gestão de Lula da Silva (PT) lançou, através do MEC, um programa de incentivo à educação integral que se chamará “Educação o tempo todo”.

Pelo projeto, o governo federal vai se propor a oferecer ajuda financeira a estados e municípios para que estes matriculem ao menos 25% das crianças e jovens que cursam o ensino infantil, fundamental e médio (a educação básica) no modelo integral.

Para tanto, o ministro da Educação Camilo Santana (PT) negocia junto à Casa Civil algo em torno de dois bilhões de reais para 2023 e outros dois bilhões para custear o programa em 2024. A intenção é elevar os atuais 6 milhões de alunos para mais de 9 milhões no sistema.

O Brasil possui 47,3 milhões de matriculados na educação básica. A escola pública representa, historicamente, 80% deste total, ou seja, algo em torno de 37,8 milhões de matriculados. Desta maneira, de fato, os mais de nove milhões de alunos que estariam no sistema integral representariam 25% deste valor.

Trata-se de uma boa iniciativa. Aliás, qualquer iniciativa que vise tirar o jovem das ruas e oferecer-lhe educação é louvável. Ao menos o governo se mexe.

Se pensarmos que educação é algo que se trabalha no longo prazo, novos objetivos podem ser propostos e poderemos atingir os 50% em alguns anos e, por quê não pensar em um futuro em que os 100% dos alunos matriculados no sistema público de ensino frequentassem a escola em período integral?

É claro que precisamos falar também da qualidade do ensino oferecido mas sabemos que o Brasil possui ótimos exemplos de eficiência educacional. Isso está mais perto, na esfera do estado ou mesmo do município. O primeiro passo são os recursos financeiros para bancar um bom sistema de ensino.

Basta planejamento. Mas é esse o ponto em que nosso Estado vacila. Nos primeiros governos de Lula foi implementado um programa, então batizado ”Mais Educação” que já perseguia o objetivo da escola integral.

No último mandato de Dilma Rousseff, o programa sofreu corte de verbas. Michel Temer voltou a acenar para o sistema, mas Jair Bolsonaro preferiu não investir. Agora, Lula parece querer retomar. É esse vai e vem que nos empobrece como Nação.

Tratamos a educação como política de governo, quando assunto tão importante deve ser tratado como política de Estado, isto é, deve estar acima das preferências de cada governo.

A leitura dos artigos 205 e 208 de nossa Constituição é inspiradora. Só nos falta colocar em prática o que já está no papel. Só assim, enfim, o nosso futuro vai chegar.

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