Cadeira do Supremo dada a Zanin demonstra responsabilidade do Senado no processo

A sabatina por que passou na última quarta-feira o agora novo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin mostra bem a responsabilidade do Senado Federal no processo.
Se o atual presidente da República não se vexa em apontar o seu advogado pessoal para assumir uma cadeira do Supremo, caberia ao Senado desfazer a imoralidade do ato. Mas não. O caso chega a ser bizarro.
Uma pessoa que perdesse a consciência em 2016 e acordasse hoje certamente pensaria ainda estar sob efeito de fortes medicamentos dada a realidade com que se confrontaria.
Sim, o mundo dá voltas, mas o que se vê beira o inacreditável. O antes todo-poderoso juiz federal Sérgio Moro agora se refugia numa cadeira do Senado. Ele até que se esforçou para demonstrar o ridículo da situação através das perguntas que formulou ao então candidato Zanin durante a sabatina, mas não havia clima para isto.
Senadores mais antigos, que andaram encrencados com a operação Lava Jato, agora sentem-se bem confortáveis em colocar no Supremo aquele que defendeu o principal alvo da operação – o então ex-presidente, Lula da Silva.
O Supremo, após decidir reiteradas vezes ser o foro de Curitiba competente para julgar o ex-presidente, simplesmente se revoltou contra as próprias decisões e pôs todo o trabalho desenvolvido pela operação a perder. Tudo se perdeu.
Não pode haver desmoralização maior. Controlar a política deveria envergonhar aqueles senhores e senhoras que se dizem o sustentáculo da República. Parecem não se incomodarem com esse detalhe.
Na verdade, são os três pilares do Estado, tão sonhados por Montesquieu, que saem enfraquecidos, senão desmoralizados do evento: o Executivo, que sem cerimônias oferece um nome para lhe garantir os interesses; o Senado, por aceitar um nome que, sabe-se, não está à altura do cargo e o próprio Supremo, que aos poucos vai se consolidando como uma casa política.
É por essas e outras que a grande mídia, cinema e televisão gostam tanto de pintar o brasileiro comum como um sujeito corrupto e dado ao “jeitinho”. Essa é a maneira mais covarde de camuflar a sujeira: apontar a dos outros. E o pior é que essa imagem se naturalizou entre nós.
A Ministra Rosa Weber marcou para o dia 3 de agosto a posse de Zanin. Ele certamente vai se dar bem por lá.
