FORMAÇÃO POLÍTICA

Antes tarde do que nunca

Tivéssemos um parlamento ocupado com o país, Bolsonaro teria sofrido processo de impeachment ainda durante seu mandato.

TSE tornou Bolsonaro (PL) inelegível por oito anos.

O governo de Jair Bolsonaro não deixou a menor saudade. É verdade que algumas conquistas foram dadas ao povo brasileiro durante os longos quatro anos que o “capitão” esteve no poder – entre elas a autonomia do Banco Central.

Mas os pontos negativos sobressaem de maneira efusiva. Olhando em retrospecto só se pode concluir que a verdadeira intenção do agora inelegível Bolsonaro era a de aplicar um golpe de estado. Nada mais justifica tamanho disparate.

O primeiro deles foi o de querer a todo custo relaxar as leis que cuidam do porte de armas no país. Provavelmente mirava constituir uma milícia que lhe desse sustentação armada em caso de alguma resistência ao golpe. Nosso Congresso foi firme e não permitiu armar a população de um país já tão violento. Ainda assim, o estrago foi grande. Uma tremenda irresponsabilidade.

Em relação ao trato com a emergência da Pandemia de Covid-19 o caso beira a insanidade. Uma irresponsabilidade que dificilmente encontra precedentes em nossa história. Não se pode isentar a Câmara dos Deputados por não ter levado adiante um processo de impeachment naquele momento tão grave. A Câmara, infelizmente, estava mais empenhada nas “emendas do relator”. Não é de se estranhar que foi a partir deste momento que o governo foi ‘sequestrado’ pelos interesses paroquiais do parlamento.

Há ainda muitas outras coisas a falar sobre a tétrica gestão de Bolsonaro, seja na Educação, seja na Cultura, seja na área ambiental. Nesse ponto, destaque para a recusa do governo em receber a Conferência Climática da ONU que seria realizada no Brasil, logo no início de seu governo. Ato contínuo veio a famosa fase do “passar a boiada” – coisa absurda de se ouvir de um Ministro de Estado.

Há também pontos obscuros que mancham a pretensa reputação de honesto da figura, como os casos de rachadinha nos gabinetes do seu clã, além da conhecida proximidade com milícias, coisas que um político de fato preocupado com sua reputação deveria evitar. 

“Motociatas”, desrespeitando leis de trânsito e às custas do Estado foram uma constante. Aproveitava os passeios para fomentar o golpismo, fazendo verdadeiras algazarras nas cidades por onde passava. Bem, há muito o que se falar sobre o desastre que foi o governo Jair Bolsonaro. Melhor parar por aqui.

Ao eleitor não restou outra alternativa senão a de ter de engolir Lula mais uma vez. Ao menos o petista respeita (ou respeitava) a Democracia, e de democracia o  brasileiro não quer mais abrir mão – nossas elites precisam se conformar com isso.

O processo junto ao TSE que tornou Bolsonaro inelegível não precisaria existir se o Congresso tivesse feito sua parte e o retirado a tempo do poder. 

De certa maneira, todo esse embróglio abre a possibilidade de dar aos seus adeptos (e incrivelmente ele os tem!) os argumentos que vão ser utilizados em breve futuro: o de que Bolsonaro vem sendo perseguido politicamente –  o mesmo discurso que levou Lula ao Planalto pela terceira vez.

A política brasileira precisa se livrar desta armadilha. Lula chegou a ser preso e acabou presidente da República. Quem garante que a Justiça não reveja sua própria decisão e, mesmo o agora inelegível retorne às urnas e ao Planalto para, novamente, sair em defesa de um anacrônico autoritarismo que pretende um dia implementar?

Tornar Bolsonaro inelegível é o mínimo que se pode fazer com alguém que jamais respeitou as regras da democracia. Trabalhou ininterruptamente para aplicar um golpe de Estado. As investigações sobre o 8 de janeiro deixam isso cada vez mais claro e evidente.

O caso é se isso vai se manter com o tempo. Por aqui, no trato de nossa política nada é impossível.

Um homem deste jamais poderia ter concluído seu mandato – se é que pudesse o ter iniciado. A Câmara dos Deputados, ocupada com os ganhos imediatos que as emendas secretas lhe proporcionam, é a maior responsável por esta situação.

Precisamos pensar nisso. 

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