FORMAÇÃO POLÍTICA

Lula lá, Alckmin cá.

Lula ainda goza de grande prestígio internacional. Mesmo que vez ou outra cometa exageros, ou tente se intrometer em esferas para além da sua estatura, líderes mundiais e chefes de órgãos internacionais costumam escutar o que o brasileiro tem a dizer.

Dupla tem condições de entregar um bom resultado – ao país e ao mundo.

Aliás, o momento é mais do que propício para exercitar suas pretensões a líder global. Para tanto, o melhor caminho é ambicionar para o Brasil o status de potência ecológica.

Nosso país também pode, e deve, representar a parte menos favorecida do globo. Afinal de contas, trata-se de um gigante que, a despeito de não ser uma nação desenvolvida, tem todos os atributos para ser. E por esta razão surge sempre a dúvida: isso se dá devido às más administrações internas ou cuida-se de um lugar que foi (e é) historicamente colonizado e abusado pelas potências estrangeiras? Sabe-se a resposta: ambos.

Portanto, o melhor que Lula tem a fazer é representar o Brasil lá fora. Já internamente, a situação é diferente.

Por aqui Lula não tem o prestígio de outrora. Patina quando o assunto é mobilizar o parlamento para conseguir cumprir sua agenda, que passa por reformas profundas e importantes, como a Tributária e a Administrativa. Dessa maneira, tem entregado as chaves de seu governo ao centrão — o mesmo erro de Bolsonaro.

Porém, Lula tem um trunfo. Ele tem a seu lado Geraldo Alckmin (PSB). O atual vice-presidente é um político experimentado, que governou o estado de São Paulo por um longo tempo e que tem cacife suficiente para coordenar o governo.

Ambos podem formar uma dupla eficiente. Se Lula se concentrar em patrocinar uma política externa para o Brasil e para uma parte do mundo que necessita ser ouvida, encontrará o caminho para o legado que tanto tem procurado.

Os discursos que proferiu em Paris e em Bruxelas recentemente são prova disso. Apesar dos costumeiros deslizes, fez uso de toda a sua capacidade de escancarar as desigualdades para denunciar as nações que se beneficiaram da Revolução Industrial e que, agora, pressionam as mais pobres a poluírem menos.

Assim, pregou que o combate à desigualdade é uma questão tão fundamental quanto o combate à degradação ambiental. São, em verdade, questões indissociáveis. Preservar a natureza significa abdicar dos benefícios fáceis e imediatos que a degradação promove. Logo, para se combater o desgaste ambiental, é necessário se fornecer uma boa recompensa.

E o melhor é que quando Lula está no estrangeiro o próprio ar por aqui fica menos poluído. Tem-se visto que ele tem insistido em atacar seu grande adversário político, Jair Bolsonaro (PL) quando deveria deixar isso de lado e governar – então, melhor que fique longe.

Como não é capaz de fazer isso, o mais inteligente seria deixar os assuntos internos a cargo de Alckmin. O vice-presidente sabe como conduzir um diálogo com o Congresso, atrair o agronegócio e compor apoio político para, enfim, promover as reformas que o país tanto precisa.

Lula lá no exterior cuidando da voz do Brasil e dos menos favorecidos e Geraldo Alckmin cá compondo politicamente um ambiente favorável para o crescimento do país. Eis, sem medo de errar, o cenário ideal.

Que Lula saiba enxergar a oportunidade. Literalmente, o mundo todo agradeceria.

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