FORMAÇÃO POLÍTICA

Uso político do “Brics”

No início do século XXI o economista britânico Jim O’Neill criou, através do acrônimo formado por “Brasil, Rússia, China e Índia”, o conceito de Bric’s. Posteriormente, o acrônimo transformou-se em Brics, agora incorporado ao eles a África do Sul (South Africa).

Com objetivos distintos, Brasil e China fazem uso político do grupo atualmente.

A ideia era a de que esses países, juntos, formariam um grupo tão poderoso que poderiam passar a influenciar na política e na economia global. Competir com o G7, grupo formado pelas economias mais desenvolvidas do planeta, isto é, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido era o principal objetivo.

Acontece que, se na economia os países do Brics podem competir com o G7, no campo da política são países instáveis e imprevisíveis. Passadas já quase duas décadas de sua “invenção”, ainda não conseguiram entregar nada do que foi concebido.

Questões ideológicas tornam o Brasil instável. Faz-se, por aqui, política de governo e não política de Estado. Se agora o Brasil volta a dar atenção ao Brics não é por ver nele um instrumento de desenvolvimento, mas por enxergar no grupo o caminho para implementar ideologias ultrapassadas.

Quanto à Rússia, trata-se de uma autocracia metida em uma guerra que só não está perdida porque o país detém armas nucleares que lhe garantem arrastar essa situação ao indefinido. China e Índia não são democracias e, portanto, não são exemplos a ser seguidos em um mundo que quer se tornar livre. A África do Sul ensaia alguns avanços, mas não se sabe até quando irá resistir às velhas falhas do passado. Por lá, os desafios como combate à corrupção, desigualdade e tensões sociais continuam a permear o horizonte do país, podendo, a qualquer momento, desembocar em instabilidade.

Retornando ao Brasil, Lula insiste nos erros do passado. Escalou Dilma Rousseff como presidente do Banco dos Brics, cargo que até só lhe rendeu o difícil desafio de negar ajuda a Putin.

Agora Lula quer, ainda, infiltrar no mesmo grupo a Argentina e a Venezuela. Só se for para promover a ajuda que esses dois países, atolados em uma anacrônica ideologia esquerdista, precisam. Acreditasse na força dos Brics e Lula estaria buscando outros caminhos para o grupo. Mais uma vez, quer impor o que só se consegue com trabalho.

O problema é que é do interesse da China que mais países se unam ao grupo. Países tão díspares como Argentina, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Cuba, República Democrática do Congo, Camarões, Gabão e Cazaquistão já manifestaram interesse em entrar no bloco. À China interessa aumentar sua influência global e nada como o Brics para promover esse propósito.

Enquanto o Brics segue por caminhos pelos quais ele não foi concebido, os governantes de cada lado observam seus próprios interesses. Nesse sentido, o grupo só está junto para justificar ideologias.

A idade não foi capaz de tirar a teimosia de Lula. Sim, há diferença entre persistência e teimosia. Mário Sérgio Cortella, grande pensador brasileiro, já nos advertiu: buscar novos caminhos é persistência, insistir no mesmo é teimosia. Lamentável que Lula pense assim e arraste consigo todo um grupo que poderia dar excelentes frutos, mas que são colhidos antes da hora, perdendo-os. Agindo dessa maneira, o G7 agradece — vai continuar impondo suas diretrizes ao mundo.

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