Não fosse pelo desejo de mais poder, não haveria razão para reforma ministerial nesse momento.
Desde que Arthur Lira (PP) chegou à presidência da Câmara dos Deputados, o alagoano nada mais faz do que fazer valer do poder a ele conferido. Antes dele, Eduardo Cunha emparedou Dilma Rousseff e abriu o caminho para o impeachment, que levou Michel Temer à presidência, aliás, esse também, presidente daquela Casa entre 2009 e 2010.

Mais prudente, Rodrigo Maia segurou os ímpetos de Jair Bolsonaro durante os primeiros movimentos daquilo que viria a ser um governo totalmente aloprado. Já Lira agiu de maneira mais pragmática em relação a Bolsonaro.
Dominou o ex-presidente, impedindo que os vários pedidos de impeachment que sob ele caíam, especialmente em razão de suas desastrosas atitudes diante da pandemia de Covid-19, não fossem adiante.
Fez valer as regras que pretendeu em relação ao que ficou conhecido como “orçamento secreto”, aumentando assim sua influência entre seus pares deputados, mesmo diante de uma decisão do STF que condena a prática.
Depois, assim que Lula da Silva foi eleito presidente da República aproximou-se do petista — não para oferecer ajuda a um governo que iria precisar dela — mas para apresentar o preço da mesma.
Legítimo representante do grupo denominado Centrão — que assim é chamado por não ter convicção política digna do nome — Lira impõe, inclusive, uma reforma ministerial à qual Lula vinha resistido, mas não muito.
Seria ingenuidade perguntar o porquê de uma reforma agora. O objetivo é trazer o Centrão para o governo. O Ministério de Portos e Aeroportos e o do Desenvolvimento Social, além da presidência da Caixa estão sendo cobiçados por Republicanos e PP, esse último, partido de Lira.
Por outro lado, a fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que tentou emparedar o Congresso para que o mesmo atenda aos interesses do governo — e do país —, é exemplo claro de que a Câmara dos Deputados é a instituição que, de fato, comanda a agenda política nacional. O problema é que somos um país presidencialista no papel e (cada vez mais) parlamentarista, na prática — uma confusão!
Nossa Constituição, concebida para ser parlamentarista, descambou para o presidencialismo, porque os militares temiam as consequências de se dar poder ao Congresso. Controlar “um só homem” (o presidente) seria mais fácil, especialmente quando esse homem acabou sendo José Sarney, recém saído das fileiras da Arena, partido de base do governo militar de então.
Assim, ficamos no meio do caminho. Temos um presidente da República que deve bênçãos ao comandante da Câmara. Esse não tem os poderes de um primeiro ministro, mas pode definir a velocidade do trato a nossas urgências.
Ficamos, assim, reféns dos poderes constituídos. Mas é neles que temos de nos apegar. É por essa razão que as coisas andam tão devagar por aqui. O tempo passa e a renda média do cidadão pouco evolui.
Por: José Santos – editor
