
Documento lançado essa semana pelo partido que o presidente Lula da Silva fundou mostra que a teimosia continua sendo uma das marcas da instituição. Não se pensa no país. Se pensa em poder. A resolução é recheada de referências à reeleição de Lula para 2026.
Não foi o que Lula disse durante a campanha de 2022. Naquela ocasião, garantiu que não tentaria a reeleição até porque sua idade está se tornando um obstáculo intransponível.
O Brasil precisa se livrar da polarização entre as personas de Lula e Bolsonaro. Isso não é política digna do nome que grandes pensadores ao longo da história ajudaram a construir — a começar por Aristóteles. O que se vê por aqui é fanatismo puro.
Não que o documento lançado pelo PT seja de todo desaproveitado. Falar no direito dos indígenas de possuírem o que já é seu é legítimo. Puxar a orelha do governador da Bahia (petista) pela absurda violência policial no estado, necessário. Cobrar a responsabilização dos militares que participaram da tentativa do golpe do 8 de janeiro ou lançar diretrizes para as eleições municipais de 2024. Tudo isso é legítimo e coerente com suas pautas.
O que é ilegítimo e profundamente lamentável é o fato de o PT ainda se ver reduzido à figura de Lula. Há alternativas, tanto dentro dos quadros do partido, quanto em seus aliados à esquerda. Esse passo precisa ser dado.
Uma eleição presidencial sem as figuras de Lula ou Bolsonaro iria oxigenar nossa democracia. Já devia ter sido assim em 2022 caso essas duas figuras não dependessem tanto do poder — implicados, ambos, em casos mal resolvidos ou mal explicados.
Mas não. A depender do PT, o país permanecerá refém dessa situação esdrúxula. Caberá ao eleitor mostrar a esse partido que existem opções. As eleições para as prefeituras no ano que vem podem abrir o caminho para que o partido repense suas ambições. Com a palavra, o eleitor.
Por: José Santos – editor

Cabe a nós todos, enquanto cidadãos conscientes, mudarmos esta história. Como, vão perguntar, por meio do voto.
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