
Não é de hoje que se percebe a implacável desconstrução de todos os supostos legados da operação Lava-Jato. Se o próprio governo que chamou sua principal figura, Sérgio Moro para ocupar o cargo de Ministro da Justiça trabalhou continuamente pelo fim das investigações, o que se dizer do atual governo, cujo líder máximo chegou a ficar preso por mais de 500 dias acusado (e condenado) por corrupção?
Ora, mas alguém que vive longe desse nosso planeta chamado Brasil naturalmente iria questionar: O que tem os governos com as decisões judiciais? No que prevalecerá a máxima filosófica ditada por Tom Jobim.
Quando o Judiciário brasileiro pressentiu que o então ocupante do cago de presidente da República, Jair Bolsonaro, tramava um golpe no qual os ocupantes do digníssimo cargo de Ministro do Supremo certamente seriam enxotados sabe-se lá para onde, resolveram soltar o leão da jaula.
De fato, somente Lula da Silva seria capaz de enfrentar Bolsonaro nas urnas. Lula venceu. Mas para isso o Judiciário teve de se contradizer, um vexame!
Agora é a vez de Dias Tóffoli dar sua cartada. Mesmo a empresa Odebrecht tendo confessado os inumeráveis desmandos que se viu tentada a fazer na ocasião, o Ministro do Supremo simplesmente revogou tudo — fica o “dito pelo não dito”. Toffoli chegou a classificar a Laja-Jato como um “armação”.
Até então se imaginava que a armação era a que havia existido entre as empreiteiras na montagem de cartéis e, depois, entre esses cartéis e o governo federal. Pelo visto, não é mais.
Só para lembrar: as empresas se reuniam e decidiam quem ganhava essa ou aquela obra. O dinheiro recebido era mais que suficientes para construir a obra (quando se construía). Depois, servia para rechear os lucros da empresa e, de quebra, para bancar campanhas eleitorais, o que fazia com que algumas candidaturas, baseadas no marketing político, se tornavam imbatíveis. Isso sim é um esquema!
Por outro lado, não há como negar que Moro e companhia avançaram o sinal, tornando a investigação unilateral. No momento, optaram por isso para atingir o máximo desempenho. Se esqueceram de que “o ótimo é inimigo do bom”. Um pequeno grande erro que se tornou, ao fim e ao cabo, fatal.
Como o Legislativo certamente irá se calar porque tem dentre seus membros diversos beneficiários da decisão, o que se esperar?
Nada, apenas concordar com o poeta — sim, “o Brasil não é para amadores”.
Por: José Santos – editor
