FORMAÇÃO POLÍTICA

Perdendo o controle

Quem manda no Rio? (e no Brasil?)

Os manuais da ciência política nos indicam que um dos fatos fundantes de uma sociedade organizada debaixo de um poder estatal é a segurança. O Estado nos garante que ninguém vai invadir a casa de outrem e roubar-lhe a mulher porque a achou bonita. Tampouco que um homem mais forte do que o outro irá retirar esse último de sua casa e passar a ocupá-la como sua. Mas para tanto, todos devem consentir de que é necessário cumprir regras.

A segurança pública é quesito fundante — depois vêm os avanços que a civilização humana organizada foi paulatinamente adquirindo. Daí falar-se nos direitos sociais, econômicos, culturais e, já nos dias atuais, os direitos de coletividade e de solidariedade, esses alcançando, inclusive, as questões climáticas.

Ora, o Estado brasileiro, que nunca foi muito bom em dar segurança jurídica — seja a instituições, seja aos negócios, tem também falhado historicamente em dar segurança ao que o homem tem de mais valioso — a sua vida. Despreza-se a vida.

Em alguns lugares específicos, a situação beira a barbárie. A população do Rio de Janeiro e da Bahia têm assistido, estupefatas, o tráfico e a milícia tomarem conta de áreas cada vez maiores.

Não há espaço sem poder. Ou o Estado recupera sua hegemonia sobre essas áreas, ou esses lugares se tornarão cada vez maiores e representativos. Vivemos uma guerra onde os próprios poderes estatais estão sendo ocupados. O sinal amarelo está aceso.

Como pensar em educação de qualidade, saúde plena e desenvolvimento econômico assim? São com questões como essas que deveríamos nos ocupar, mas ainda nos prendemos ao mais fundamental pilar do Estado — a segurança pública.

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