Por outro lado, menor número de bancadas partidárias no Congresso demonstra inabilidade política do atual governo.

O eleitor brasileiro vive imerso em um número desproporcional de partidos, cujas representações pouco lhes fazem sentido.
E quando não simplesmente desconhecidos, alguns dependem de figurões da política para terem existência consistente — daí nossa sórdida polaridade Lula (PT) e Jair Bolsonaro, atualmente no PL .
Mas esse quadro tem mudado. Alterações na lei eleitoral vêm estimulando os partidos a se unirem através de fusões, incorporações ou federações. Sim, viver em democracia exige paciência e vigilância por parte do cidadão, mas os frutos acabam por vir.
A atual lei eleitoral age em duas frentes. Primeiramente, estimula a união de partidos e, também, dificulta a constituição de novas entidades políticas.
Já não estão mais na lista de partidos do país as seguintes siglas: PRP, PPL, PHS, PSC e PROS. Foram incorporados, respectivamente por Patriota, PCdoB, Podemos (que incorporou o PHS e PSC) e Solidariedade.
Democratas e PSL se tornaram a União Brasil; e agora o PTB se uniu ao Patriota para formar uma única sigla, o novíssimo Partido da Renovação Democrática (PRD), numa afronta à própria história do PTB. Essa atualização vai levar o número de partidos ativos a vinte e nove.
Quanto às Federações — primeiro passo para uma união definitiva, estão válidas as existentes entre PT, PCdoB e PV; entre PSDB e Cidadania; e entre PSOL e Rede o que, se levadas à diante, podem nos dar o número de 25 partidos.
Alguns analistas falam que as consequências dessas leis podem nos conduzir a um número quase ideal de apenas 14 partidos políticos. A ver. O fato é que atualmente no Congresso trabalham apenas doze bancadas partidárias, o que demonstra a inabilidade política do atual governo, que ainda não se estabilizou institucionalmente por lá.
Menos partidos representa melhores condições para o eleitor se posicionar, maior coerência do voto dos deputados e senadores, além de mais racionalidade no trato do Executivo com o Legislativo.
Cabe aos cidadãos paciência e persistência. Os frutos da Democracia tendem a ser melhores do que os solavancos das instabilidades institucionais. Só não se pode aceitar retrocessos nesse processo.
