Conforme são divulgados os resultados das investigações do 8 de janeiro, mais se conclui que o governo Bolsonaro nada mais foi do que uma preparação para um golpe de Estado.

Em julho de 2018, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) proferiu uma frase que já apontava para o que seria um eventual governo de seu pai na presidência da república: “Bastam um soldado e um cabo para fechar o STF”.
O desfecho de tudo isso se deu em 8 de janeiro de 2023, momento em que, após passar por uma tumultuada gestão, seu pai foi forçado a abandonar o Planalto, rejeitado pelas urnas.
Durante seu governo, Jair Bolsonaro (PL) entregou o orçamento da União em troca da complacência de Arthur Lira (PP), que manteve inerte noventa e sete pedidos de impeachment que chegaram à casa que comanda, a Câmara dos Deputados.
Somente olhando em perspectiva é possível entender a situação — ora, se a intenção era a de se aplicar um golpe de estado, então o controle do orçamento naturalmente retornaria ao futuro ditador. O que ocorreu é que o golpe não veio e o atual governo acabou herdando este problema.
Aliás, por falar em novo governo, Lula (PT) não tem demonstrado apreço pela democracia plena. Apoia governos que estão muito longes de serem democratas e mostra disposição para tentar uma nova eleição em 2026. Fosse um amante da Democracia e passaria o bastão, fazendo deste um governo que se prestaria a trazer paz para o país — a colocar as coisas no lugar.
Aos golpistas de plantão fica o recado de que o brasileiro, historicamente, prefere a democracia. Está claro que o sistema é derrubado quando privilegiados se sentem ameaçados. Então a tarefa é convencer a classe média de que o “comunismo nos ronda”. Se valem desse anacronismo para rasgarem a Constituição e escreverem uma nova, que melhor atenda às suas demandas de ocasião. Não foi assim desta vez e o brasileiro parece estar cada vez mais atento a este estratagema.
As apurações devem prosseguir para eliminar do horizonte qualquer nuvem de ameaça golpista. É necessário que ao final do processo não haja vingança, mas que se faça Justiça. Nossas instituições sobreviveram, mas devem se ater às suas atribuições. Do contrário, haverá espaço para novas ofensivas.
