O governo brasileiro, que usa sua presidência rotativa no G20 para mandar recado à ONU e ao mundo desenvolvido, deveria promover o que pede lá fora, aqui.

O Brasil tem usado a presidência do G20 para promover a voz dos países que não fazem parte deste seleto grupo de nações, que juntas detêm 85% do PIB mundial. Esse fato é relevante e faz parte da nossa melhor tradição diplomática.
Isso porque nosso país é um país sui generis. Temos dimensão e riquezas, naturais e minerais, que nos colocam entre os mais importantes do planeta. Isso sem falar na questão climática. Detentor da maior parte da floresta amazônica, o mundo depende de decisões que aqui são tomadas para sua própria segurança.
Mas, apesar disso tudo, também somos um país pobre. Isso porque ainda não conseguimos promover uma distribuição de renda que permita diminuir a pobreza de nossa população, bem como a dependência dessa mesma população aos benefícios que o governo lhes empresta. Típica política de países que mantêm sistemas paternalistas — baseada em governos populistas, que distraem o povo com efemérides enquanto se arranja com os grandes.
O discurso que o Brasil, através de seu governo, vocifera nos teatros do G20 deveria praticar, ele mesmo, aqui.
O que as grandes nações fazem com as menos afortunadas nada mais é do que aquilo que também aqui é praticado. Os grandes esmagam os pequenos.
Quando uma urgência sanitária irrompe na África, mandam-lhes “ajuda humanitaria”. Quando a miséria toma proporções grotescas por aqui, cria-se um “bolsa familia”.
Uma humanidade plena e digna dispensa ajudas — precisa, isso sim, de oportunidades.
