Decisões que afetam o destino das investigações anticorrupção devem ser levadas a plenário. Insistir no contrário só enfraquece a imagem do STF.

Quem passa, em retrospecto, pelas páginas dos jornais do ano de 2015, por exemplo, e agora vê o resultado final de toda essa patacoada, verificará que tornamos, enfim, ao verdadeiro jogo do poder, tal e qual é praticado no Brasil. A exceção estava lá.
O desmonte completo da operação Lava Jato e de suas congêneres tem sido metodicamente orquestrado e interessa a muita gente importante.
Porém, a democracia, conforme vai suportando os golpes que vão se lhe aparecendo pelo caminho, torna os cidadãos mais esclarecidos quanto ao processo. É para isso que servem os golpes — para estancar a democracia e os benefícios que ela, no longo prazo, proporciona.
Poder para jogar na lata do lixo todo um trabalho de enfrentamento aos poderosos em benefício do bem público — a própria alma de uma República — muitos têm. O problema é que a desmoralização institucional que acompanha estas investidas turva a imagem do Supremo.
Ao permitir que decisões tão importantes sejam tomadas de maneira monocrática, literalmente à revelia do plenário daquela Casa, o Ministro Luís Roberto Barroso coloca em risco sua reputação, afinal de contas, no momento, cabe a ele presidir aquele órgão secular.
As decisões do Ministro Dias Toffoli particularmente chamam a atenção. É verdade que alguns veem suas ações como necessárias para garantir o devido processo legal e corrigir excessos. Acontece que, ao tomar decisões sem o conselho de seus pares, abre espaço para que outros as interpretem como obstáculos à justiça e ao progresso das investigações anticorrupção.
O STF não pode carregar esse estigma. Cuida-se de um órgão colegiado, é sempre bom lembrar.
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Como vivemos no país das piadas prontas, o julgamento do Senador Sérgio Moro (União), no TRE do Paraná está marcado para ter início no dia 1º de abril. Não podia ter data mais significativa. Fazem-nos de bobos.
