Após dez anos do início da operação Lava Jata, o país perde dez pontos no “Índice de Percepção de Corrupção” da Transparência Internacional, num claro retrocesso .

Olhando em perspectiva, a Lava Jato nada mais foi do que um momento em que políticos e grandes empresários foram surpreendidos, em função das Jornadas de 2013, pela mão forte da Justiça.
A queda de Dilma Rousseff e posteriormente, a eleição de Jair Bolsonaro fazem parte de outro movimento: o da inflexão a tudo isso. A partir daí, e com a chegada de Arthur Lira (PP) à presidência da Câmara, esse processo ganhou tração. O mais surpreendente, todavia, é que foi o próprio Judiciário quem promoveu, muitas das vezes em decisões monocráticas e absurdas, os maiores estragos.
Por outro lado, não se pode negar abusos cometidos no calor da hora, pelos agentes públicos que conduziram a operação. O fato é que naquele momento, o mesmo STF as chancelou. Excesso de prisões preventivas e vistas rasas a perseguições implacáveis foi uma constante.
Agora, sabe-se, existia uma rede de comunicação fora dos autos entre os agentes persecutores, com a intenção de obterem o melhor resultado possível do seu trabalho. Se a causa era nobre, os meios não.
De qualquer maneira, o que foi apresentado para a nação e assumido pelos culpados eram fatos estarrecedores. Em uma guerra de discursos, Lula — condenado em três instâncias — bradava que a operação era um estratagema perpetrado pelos Estados Unidos para acabar com empresas brasileiras que estavam concorrendo no exterior.
De fato, esta operação acabou por romper com o bom momento econômico que o Brasil vivia. O país chegou a ocupar, em 2011, o posto de sexta economia do mundo e caminhava a passos largos para ultrapassar o Reino Unido. Era questão de tempo, mas o colapso nos alcançou antes que o Brasil atingisse esse posto — caímos para a 12ª posição e só agora, depois de muito suor, chegamos novamente ao top-10 — atualmente o Brasil é a nona economia do mundo.
Precisamos encontrar um caminho para melhorar a questão da corrupção das verbas públicas no país. Sentimos que novamente regredimos. Não é por outra razão que recentemente a Transparência Internacional derrubou nossa qualificação no Índice de Percepção da Corrupção em dez pontos.
Apesar das intenções golpistas que rondam nosso espectro político, é hora de deixarmos as diferenças de lado e nos esforçar para evoluirmos como Nação — agarrarmos à Democracia é uma boa opção. Temos graves problemas a solucionar. O ponto inicial é deixar o radicalismo político de lado — ele só interessa aos extremos.
No momento, o Poder está unido pela manutenção de seus privelégios. O povo é que, disperso em discussões comezinhas, não está. Mas o povo pode acordar. A Lava Jato, apesar dos seus erros, mostrou àqueles que se acham superiores e inalcançáveis, que os ventos podem mudar.
