FORMAÇÃO POLÍTICA

Não desta vez

País esteve próximo de nova ruptura institucional.

A história política brasileira tem sido escrita por uma sucessão de quebra de regimes que, ao final, nada mais fazem do que impedir que o país avance.

Em 1840 uma disputa entre grupos políticos fez com que por uma ironia do destino nossos Liberais apoiassem a antecipação da coroação do jovem Pedro II. O Golpe da Maioridade foi uma manobra política para estabilizar o país durante um período de regências tumultuadas.

Depois, em 1889 esse reinado terá fim com um golpe que acabou com a monarquia — mesmo ela sendo um regime ao qual o povo gostava — para a implantação da República. Desta feita, o novo regime surgiu para acomodar a elite agrária, que comandava nosso parlamento, decepcionando os verdadeiros republicanos, que lutaram por ela.

A Revolução de 1930 veio, entre outros motivos, para conter o poder que os barões do café exerciam sobre o governo. Houve uma ruptura, depois agravada, em 1937 com o Golpe do Estado Novo, momento em que Getúlio se tornará um ditador implacável contra os seus desafetos.

Após um pequeno hiato democrático, em 1964, novo golpe. Desta feita, com o apoio maciço da classe média, um governo popular e de esquerda será enxotado do poder.

Os militares, que prometeram tomar o poder para devolvê-lo aos civis, seguraram o bastão por mais de 20 anos, devolvendo um país em frangalhos, em meados dos anos oitenta.

São momentos pelos quais a política nacional vai fazendo um movimento de pêndulo, que vai da ditadura para a democracia, com o abrupto rompimento desta ao final de cada ciclo democrático.

Isso porque, quando em democracia, os direitos civis e sociais passam a ser paulatinamente concedidos. Afinal de contas, para um país com uma população tão empobrecida, seus representantes logo estarão legislando a seu favor, o que fará com que um golpe logo seja tramado. A ideia é a de que um novo período de ditadura coloca as coisas “no seu devido lugar”. É por esse fato que já editamos tantas Constituições.

Há pouco mais de um ano, tentou-se, mais uma vez, derrubar a ordem democrática. Não há mais como negar esse fato diante das evidências que as investigações levadas à cabo pelos órgãos competentes vêm demonstrando.

Tudo sugere que o desejo de derrubar a ordem foi se fomentando e se retroalimentando nos delírios do então presidente da República e de algumas altas patentes militares, a ele aliadas.

Ao implicarem Bolsonaro nas tramas golpistas, os ex-chefes, da FAB e do Exército apenas confirmaram o óbvio e o indisfarçável. Naquele momento, havia muita gente inebriada, dopada pelo Poder.

Esqueceram-se que, em um sistema Democrático, há mandato e, portanto, chega a hora de ter de se submeter novamente às urnas, por óbvio, respeitando as regras.

O Brasil conseguiu dar este passo —  avançar com sua Democracia mesmo caminhando em terreno tão pantanoso. De se lamentar, nesse momento, que o atual inquilino do Alvorada também tem um conceito bem próprio de democracia. Só um olhar completamente enviesado poderá enxergá-la na Venezuela de Maduro.

O caminho já encontramos: a Democracia. Resta agora encontrar um estadista — alguém que saiba colocar a Democracia acima de suas vaidades.

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