Relação estreita entre o crime organizado, a polícia estadual e o Legislativo carioca deixam claro porque a cidade está estagnada. O Rio de Janeiro precisa se livrar deste cativeiro.

Em 2010, a então deputada estadual Cidinha Campos (PDT), proferiu um discurso na ALRJ que ficou conhecido como “Eu quero falar dos que mamam”. Na ocasião, ela expôs a situação do Tribunal de Contas do Estado, além do escracho com que as coisas da vida política carioca eram tratadas na Assembleia Legislativa.
Em 2018 houve o assassinato brutal da vereadora Marilelle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes. Foram necessários seis anos para se apontar os mandantes de um crime que sabia-se desde o início estava ligado à questão de grilagem de terras por milicianos, na zona oeste do Rio.
Quem assistiu à série-documentário, produzida pela Globo Play “Vale o Escrito”, dirigida por Ricardo Calil e apresentada pelo repórter Pedro Bial, pôde perceber que foi criado um submundo a partir do inocente “Jogo do Bicho”, no qual alguns chefões se apoderaram das Escolas de Samba da cidade para se promoverem.
Daí à relação com o tráfico foi quase lógica. O fim de tudo é a posse do próprio poder de mando estatal, representado pelas milícias, que hoje controlam grandes áreas da capital fluminense.
O poder público no Brasil está sendo cooptado pelo crime. O eleitor é constantemente enganado e iludido. A Justiça Eleitoral precisa ser mais criteriosa na hora de aprovar uma candidatura. Os partidos devem ser o primeiro obstáculo à entrada de meliantes na vida política.
Não basta ao União Brasil expulsar o deputado federal Chiquinho Brazão, que foi eleito sob esta legenda. O partido deve explicações ao eleitor, afinal de contas, foi ele quem o apresentou e assim, deu seu aval.
São três as barreiras — o partido político, a Justiça Eleitoral e, quando ambas falham, o eleitor. Infelizmente, todas têm sido muito frágeis e a sociedade como um todo é a grande vítima desta farsa.
E é diante do mal serviço prestado pelo Estado que oportunistas corrompem, com seus mimos, a população. Sim, todo vácuo de poder, será ocupado. Precisamos repensar este país.
