Enquanto questões ideológicas teimam em influenciar nas decisões estatais, crime organizado se infiltra perigosamente nas instituições e já avança no mercado formal.

Quando o homem se uniu nas primeiras comunidades, o fez por questão de segurança, seja a física, que o protegia da violência de outros, seja a alimentar, já que em comunidade podia melhor suprir suas necessidades. A par disto, o crime sempre existiu.
Agir fora das regras tornou-se uma maneira poderosa de se enriquecer. Quando o Estado aponta que tal atitude é criminosa, o faz porque esta atitude isolada de um cidadão prejudica o todo da sociedade. Aliás, em uma democracia representativa como a nossa, quem cria estas normas são os representantes do povo, reunidos em Assembleia. Assim, em última análise, quem cria as normas são os próprios cidadãos, indiretamente.
Uma sociedade, porém, se vê gravemente enferma quando o crime se organiza e consegue se infiltrar nas entranhas do Poder.
Se a Câmara dos Deputados manteve a prisão de Chiquinho Brazão (expulso às pressas do União Brasil), o fez exatamente para sinalizar à sociedade que aquela casa não pode comportar sequer suspeitos de crimes graves, como o que vitimou a vereadora do Rio, Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, em 2018.
O crime organizado tem avançado de tal maneira que levou o secretário nacional de Segurança Mário Luiz Sarrubbo a alertar que as facções já alcançaram a economia formal. Ele afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, (14.abr, p.13) possuir informações de que o crime organizado já está entrando no mercado financeiro, inclusive.
No Rio de Janeiro já ficou claríssima a extensão do domínio do crime no dia a dia do cidadão. Em São Paulo, causou espanto ver que duas empresas de transporte urbano, vencedoras de licitação, estão ligadas ao PCC. Como andam as coisas em outras capitais?
O desmantelamento do caso paulista aponta o caminho que, aliás, é confirmado pelo secretário Sarrubbo. Para ele, é necessário um pacto sem ideologias entre polícias, Ministério Público e Justiça das esferas federal e estaduais.
Sem esta cruzada, já não haverá mais Estado para se defender, mas apenas um simulacro de ordem, na qual o poder de mando repousará, enfim, nas mãos de bandidos. O entrevero entre Elon Musk e Alexandre de Moraes só demonstra como a instituição Estado está desorientada neste momento de profundas mudanças promovidas pela conectividade e pela globalização.
