Em sua terceira passagem pelo Planalto, Lula (PT) repisa equívocos, dando razão àqueles que enxergam nele mais um dos problemas deste país.

Lula anda bastante equivocado ao imaginar que as urnas das últimas eleições lhe concederam uma espécie de carta branca para insistir nos erros do passado. As urnas apenas afastaram algo que ao eleitor daquele momento parecia pior, pois que conspirava contra nossa frágil democracia.
Afora os radicais que à direita querem uma intervenção militar e à esquerda apoiam ditaduras como as de Maduro na Venezuela, o grosso da população brasileira — e aí pode-se pensar seguramente em algo acima de 70% — não está alinhado a este tipo de política.
Infelizmente uma terceira via ainda não se viabilizou. O PSDB colaborou muito para este estado de coisas. Deixou Alckmin (PSB) ao relento e impediu que João Doria, mesmo tendo vencido as convenções partidárias, estivesse na cédula eleitoral. Não é por outra razão que o partido dos tucanos definha. Triste sina do eleitor brasileiro, ficar entre PT e PL, e os lobos do Centrão.
Incapaz de trazer algo que de fato dê algum alento à população, Lula e Bolsonaro (PL) insistem na polarização. Enquanto viger esta situação inaudita, nenhum dos dois precisa se ocupar com nada além do que jogar mais lenha na fogueira, alimentando esta irracionalidade política que se abateu sobre nós.
Mas, se o povo não está nas ruas para repudiar o governo, também é verdade que não está de todo alienado aos fatos. É o que demonstra a última pesquisa de percepção do cidadão em relação ao governo que aí está (Pesquisa Ipec, publicada em O Globo de 21.abr.2024).
Se o único ponto em que os satisfeitos superam os insatisfeitos é no quesito “educação”, então o nível de satisfação que o atual mandatário maior da nação está conseguindo é, de fato, preocupante. Infelizmente, educação nunca foi um item pelo qual um governo pudesse se orgulhar. Portanto, a régua anda baixa.
Lula desperdiça não somente o seu futuro político. Coloca o brasileiro diante de uma situação esdrúxula. Se não dá para sentir saudades de Bolsonaro, dá ao menos para concordar com as críticas que os seus apoiadores faziam e fazem em relação ao modo de governar do petista.
Para tentar melhorar sua popularidade, Lula se agarra a um velho estratagema: distribuir dinheiro. Quando Lula tomou posse em seu primeiro mandato prometeu que iria ensinar a pescar, não dar o peixe. Passados mais de 20 anos, continua a se utilizar de atalhos e remendos. O pior de tudo é que ensinou o caminho a seus oponentes.
Os sábios nos ensinam que errar uma vez é possível, isso acontece. Porém, quando se insiste no erro, ou se está de má fé ou é falta de discernimento mesmo. Sob qual carapuça Lula se meteria? O que se espera é que não seja sob as duas.
