FORMAÇÃO POLÍTICA

Bola fora

Lula (PT) culpa Ministro pela falta de adesão popular ao Ato.

Lula deveria, antes de arriscar colocar em cheque a campanha eleitoral de seu preferido à prefeitura da maior cidade do país, refletir sobre os motivos pelos quais o ato convocado para as comemorações do 1º de maio deste ano esteve esvaziado.

Colocar a culpa em Márcio Macêdo (ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência) dizendo que houve má divulgação do ato apenas reforça a imagem do momento político que o presidente da república vive. Não estavam presentes nem o governador do Estado nem o prefeito da capital, tampouco a grande massa de trabalhadores.

O ministro do trabalho de Lula, egresso das fileiras sindicais, flerta com uma visão retrógrada do sistema e não consegue absorver as mudanças que o mercado de trabalho vive, mas isso Lula não quer enxergar.

Lula perde tempo e capital político. Fere a lei eleitoral, mesmo diante de público tão reduzido, ao recomendar votos ao candidato do Psol quando a Lei Eleitoral o proíbe. Será que valeu à pena? Ou o motivo era sacrificar Boulos?

Mais uma mostra de que Lula só apoia a Democracia nos limites que esta lhe convém. Ferir a regra eleitoral é transgredir contra a Democracia. Falar que a Venezuela é “democrática até demais” é tripudiar contra o razoável.

Estamos vivendo um ano eleitoral e as prefeituras, sabe-se, formam uma base importante sobre a qual o jogo político é desenvolvido. Mas vivemos também um ano em que há assuntos essenciais a serem resolvidos no parlamento, nomeadamente a Reforma Tributária, que precisa ser regulamentada. 

Colocar lenha na fogueira das disputas à prefeituras num momento em que a corrida ainda não começou é bagunçar a já frágil disposição dos deputados em encarar as votações necessárias para a efetivação da mesma. É lembrar aos deputados de que há uma eleição municipal para acontecer em breve. É desconcentrar um ambiente que, por natureza, é difuso e instável.

Talvez se olhar para os lados, o presidente enxergue alguns auxiliares seus mais preocupados em trabalhar do que em fazer política partidária.

Porque não adianta cobrar o vice-presidente para ser “mais ágil”, ou criticar o ministro da economia por ser adepto à leitura(!). Tampouco culpar um ministro pelo fracasso de um ato que deveria estar lotado de apoiadores (talvez apenas tenha faltado os famosos “sorteios”).

Lula está perdido e precisa se encontrar. 

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