Diferenças ideológicas entre o Congresso e o Supremo são o resultado das alternâncias radicais por que passa o Executivo, que vai da direita para a esquerda sem tempo para se refrescar no centro.

Quando Fernando Collor de Mello caiu, seu vice Itamar Franco assumiu o comando do país e nos brindou com o “Plano Real”. Quando Dilma Rousseff foi defenestrada do cargo, Michel Temer conseguiu, em pouco tempo, acalmar o país e promover o controle sobre os gastos públicos, além de modernizar a Lei Trabalhista. Foram governos “de centro”.
Lula (PT), que sempre gostou de caminhar no terreno do embate, encontrou seu oposto ideal em Jair Bolsonaro (PL). Ambos se retroalimentam e levam consigo uma legião de fãs, que não conseguem ver a política como o caminho do consenso, tratando-a como se fosse um jogo de futebol onde, para um ganhar, o outro tem necessariamente de perder.
Nosso Congresso atual é conservador, de direita. Lula, de esquerda. O Supremo Tribunal Federal é composto por onze Ministros cujas posições têm ficado cada vez mais claras — entraram no jogo político. Acontece que a função dos ministros do Supremo é a de verificar a constitucionalidade das leis e dos atos, não a de direcionar a sociedade. Então temos um grave problema.
A discussão sobre o porte de maconha é um exemplo disto. Como o Congresso se demora em decidir, afinal o que pode e o que não pode, o Supremo decidiu (porque provocado) que o porte de maconha até determinada quantidade (40 g) não será mais punido como atualmente o é, isto é, com medidas educativas e de prestação de serviços comunitários.
Diante disto, o Congresso se insurge e promete acelerar uma PEC que criminaliza o que o Supremo acaba de descriminalizar e que atualmente é criminalizado. Nossos mais altos escalões de poder estão literalmente batendo cabeça com questões que deveriam ser decididas no âmbito de um parlamento que realmente funcionasse.
No mesmo impasse encontram-se outras problemáticas que só quem as vivenciam na pele sabem da urgência que demandam. O marco temporal da demarcação das terras indígenas e a questão do aborto legal são exemplos. Sem falar no desserviço que tem sido feito pelo Supremo no que diz respeito às decisões referentes à Lava Jato.
Estamos atingindo a marca dos quarenta anos de democracia. Nas outras ocasiões que nosso sistema ruiu, foi porque a sociedade brasileira não conseguiu se entender — e isto começa por nossas instituições.
É preciso repactuar nossa República para que a paz social de que tanto necessitamos para desenvolvermos, seja estabelecida. E isto começa com estes senhores de toga e ternos alinhados. É hora de pensar no país.

É simples. Bastaria cada um cuidar do seu pedaço. Esta semana chamou a atenção que o presidente Lula tenha dito que o stf estava se metendo em assuntos do legislativo. Compreensível, mas não deixa de ter um componente de ironia, pois fala de alguém que não tem voto, mas faz a indicação de quem é interessado nas decisões.
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Comentários e falas de Lula são perda de tempo e um zero à esquerda.
O que se precisa é que o STF se torne uma corte constitucional e trate de temas constitucionais. No momento que virou ativista político e se meteu em discussões político-partidárias tornou tudo mais difícil. O STF precisa entender, como disse Fux, que o Parlamento é o PODER POR EXCELÊNCIA numa Democracia. E se o Congresso não quer legislar essa ou aquela matéria é porque sua composição assim o deseja.
Ou o STF enxerga seu ativismo e procure ter grandeza de espírito para sair da política (“nós vencemos o bolsonarismo” – isso é ridículo e dígno de impeachment do Barroso). E o Moraes perseguindo conservadores, patriotas, direita ou chamem do que quiser é também ridículo e perigoso.
Hoje não existe democracia porque há perseguição política.
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